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terça-feira, abril 14, 2026
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Empresário preso por fraudes no INSS tentou influenciar CPMI com ajuda de contato nos EUA, diz PF

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Mensagens encontradas no celular de Maurício Camisotti indicam articulações com parlamentares e advogado para blindá-lo das investigações; interlocutor “GS-USA” seria elo internacional

Por Sandra Venancio

A Polícia Federal investiga se Maurício Camisotti, empresário preso por envolvimento em fraudes bilionárias contra aposentados do INSS, mantinha contatos políticos e empresariais com interlocutores fora do Brasil.

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As mensagens encontradas no celular de Camisotti indicam a atuação de um contato identificado apenas como “GS-USA”, vinculado a um número do Texas (EUA), que orientava o empresário sobre como se proteger na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.

A PF observou ainda que parte das mensagens foi apagada automaticamente, por meio do modo temporário do WhatsApp, configurado para exclusão em 24 horas. Foto Lula Marques/Agencia Brasil

Segundo os investigadores, o interlocutor parecia ter acesso a informações internas de Brasília e a figuras políticas do Sul do país, especialmente ligadas ao PL e ao entorno militar, citando nominalmente o deputado Luciano Zucco (PL-RS).

“Há indícios de que o interlocutor atua entre São Paulo, Brasília e o Sul do país”, registrou a PF no relatório.

Estratégia de blindagem política e apagamento de provas

Camisotti, preso desde 12 de setembro, trocou mensagens com o advogado Nelson Wilians, fundador de um dos maiores escritórios do país, e com “GS-USA”.

O empresário demonstrava preocupação com as convocações de sua esposa e executivos de suas empresas, chegando a discutir quais parlamentares poderiam interceder em seu favor.

Entre 22 de agosto e 11 de setembro — período em que a CPMI foi instalada —, as conversas mostraram planejamento para contato com Izalci Lucas (PL-DF), autor de requerimentos contra o grupo de Camisotti.

A PF observou ainda que parte das mensagens foi apagada automaticamente, por meio do modo temporário do WhatsApp, configurado para exclusão em 24 horas.

Reuniões presenciais e o “nó paulista”

Três dias antes do início efetivo da CPMI, “GS-USA” enviou mensagem a Camisotti relatando um encontro na Churrascaria Rodeio, no Shopping Iguatemi, em São Paulo.

No local, segundo ele, estiveram presentes seis pessoas, incluindo Rodrigo Califoni, executivo do grupo empresarial de Camisotti.

A PF identificou que “GS-USA” mentiu ao afirmar que Zucco seria membro da comissão, mas as mensagens revelam um ambiente de lobby paralelo operando em restaurantes e escritórios de alto padrão da capital paulista.

O elo “GS-USA” e a hipótese de articulação internacional

Fontes próximas à investigação afirmam que a PF busca identificar quem está por trás do número americano e se há ligação com empresas de consultoria, advocacia ou lobby político sediadas nos EUA.

Uma das linhas apuratórias considera a possibilidade de o interlocutor ter atuado em intermediações financeiras e políticas entre grupos empresariais brasileiros e consultores internacionais ligados a campanhas políticas.

Em mensagens, “GS-USA” se refere a reuniões estratégicas e demonstra conhecimento prévio sobre decisões de bastidores da CPMI, o que levanta suspeita de vazamentos de informação parlamentar.

Reações e negativas

Os três parlamentares citados — Izalci Lucas (PL-DF), Luciano Zucco (PL-RS) e Paulo Pimenta (PT-RS) — negaram qualquer contato com Camisotti.

Izalci afirmou repudiar “qualquer tentativa de associar seu nome a pessoas ou fatos investigados”. Zucco classificou os envolvidos como “lobistas e vagabundos”, e Pimenta reforçou que foi ele quem convocou o empresário para depor.

Próximos passos da investigação

A PF deve encaminhar ao Ministério Público Federal (MPF) um pedido de cooperação internacional com os Estados Unidos para rastrear a origem do número vinculado a “GS-USA”.
O objetivo é identificar quem financiava ou assessorava politicamente o grupo de Camisotti e se há ligação com estruturas de poder econômico e político norte-americanas.

“Os dados coletados indicam capacidade de influência e possível tentativa de obstrução de investigações no âmbito parlamentar”, conclui o relatório da PF.

O padrão de atuação observado nas mensagens — envolvendo advogados, lobistas e contatos no exterior — reforça um modus operandi já visto em outros casos de interferência política em CPIs no Brasil.

A presença de um interlocutor com número americano sugere um grau de sofisticação nas articulações, indicando possível uso de redes internacionais para proteção jurídica e política.

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