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quinta-feira, março 12, 2026
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Cláudio Castro desafia STF e governo federal e radicaliza discurso em evento da comunidade judaica

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Governador do Rio desafia STF e governo Lula em evento da comunidade judaica, defende tese do “narcoterrorismo” e usa palanque para reforçar discurso bolsonarista de confronto e endurecimento na segurança pública

Por Sandra Venancio

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), intensificou o tom de confronto com o Supremo Tribunal Federal e o governo federal neste fim de semana. Durante discurso na 56ª Convenção da Confederação Israelita do Brasil (Conib), em São Paulo, no sábado (8), o governador defendeu a tese do “narcoterrorismo” e reagiu à decisão do ministro Alexandre de Moraes, que determinou investigação da Polícia Federal sobre possíveis conivências de agentes públicos nas operações policiais do Rio.

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A fala de Castro ocorre poucos dias após o STF ampliar o alcance da ADPF das Favelas, obrigando as forças estaduais a prestar contas sobre ações que resultaram em 121 mortes nos complexos da Penha e do Alemão, no fim de outubro. A decisão impôs limites à atuação das polícias fluminenses e determinou acompanhamento direto do Ministério Público Federal.

A fala de Castro ocorre poucos dias após o STF ampliar o alcance da ADPF das Favelas, obrigando as forças estaduais a prestar contas sobre ações que resultaram em 121 mortes. Foto Fernando Frazão/Agencia Brasil

Ataques e retórica de confronto

Em tom desafiador, Castro voltou a defender sua política de segurança pública e atacou críticos do modelo de enfrentamento adotado por seu governo. Ao ser questionado por jornalistas sobre as declarações do ministro Guilherme Boulos (PSOL-SP) — que classificou a estratégia fluminense como “carnificina” e “demagogia com segurança” —, o governador respondeu de forma ríspida:

“Esse é um paspalhão. Vamos embora, próximo.”

O ataque expôs a tensão crescente entre o Palácio Guanabara e o governo federal. Boulos havia criticado governadores aliados de Jair Bolsonaro, como Castro e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), por promoverem operações de alto custo humano enquanto rejeitam a PEC da Segurança Pública, proposta pelo Planalto para criar parâmetros nacionais de atuação policial.

Além disso, Boulos acusou os governadores bolsonaristas de usarem a pauta da “Lei do Terror” — inspirada em legislações dos Estados Unidos e apoiada por Donald Trump — como pretexto para ampliar poderes policiais e abrir margem para interferência norte-americana em território nacional.

Hostilidade política e clima eleitoral

A convenção da Conib, tradicional espaço de diálogo entre lideranças judaicas e autoridades públicas, transformou-se em palco de críticas ao governo Lula (PT). O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União-GO), também discursou em tom de ataque, o que levou a assessora especial da Presidência, Clara Ant, a se retirar do evento em protesto.

Nos bastidores, observadores políticos enxergam a movimentação como uma ofensiva coordenada da direita para mobilizar a base conservadora em torno da bandeira da “ordem” e da “segurança” — temas centrais na disputa eleitoral de 2026. Castro, que busca projetar-se como herdeiro político do bolsonarismo no Sudeste, aposta na retórica de endurecimento e na polarização com o STF para manter visibilidade nacional.

Enquanto a Polícia Federal inicia as investigações ordenadas por Moraes, o governo do Rio tenta sustentar a narrativa de que o Estado enfrenta uma ameaça de “narcoterrorismo” — conceito ainda sem base jurídica no Brasil, mas usado politicamente para justificar operações letais nas favelas.

A tensão entre os poderes promete se intensificar. De um lado, o STF busca coibir abusos e garantir responsabilização pelas mortes nas ações policiais; de outro, Castro e aliados do PL mobilizam o discurso do confronto como combustível político.

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