Candidato ao Senado por Santa Catarina informa R$ 2,78 milhões em bens e direitos, enquanto Jair Renan declara R$ 187,3 mil; dados estão disponíveis no sistema do TSE
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O patrimônio declarado por Carlos Bolsonaro (PL) à Justiça Eleitoral chegou a R$ 2,78 milhões nas eleições de 2026. O vereador do Rio de Janeiro deixou o estado para disputar uma vaga ao Senado por Santa Catarina e apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma relação de bens e direitos aproximadamente 40,4% superior, em valores nominais, aos R$ 1,98 milhão declarados na eleição municipal de 2024.
A maior parcela do patrimônio informado atualmente está concentrada em investimentos financeiros. Carlos declarou R$ 1,95 milhão nessa categoria e outros R$ 463,8 mil mantidos em conta bancária. A relação inclui ainda um Nissan Kicks avaliado em R$ 144 mil, um Hyundai HB20X de R$ 61 mil e duas motocicletas. O candidato também declarou participações societárias nas empresas WF Advisory e Bolsonaro Digital.
A comparação com a declaração de 2024 mostra uma mudança na composição dos bens informados à Justiça Eleitoral. Naquele ano, além de aplicações financeiras, Carlos havia declarado ações de empresas estrangeiras e criptomoedas. Na declaração apresentada para a disputa de 2026, investimentos e recursos mantidos em instituições financeiras representam a maior parte do patrimônio informado.
Considerando apenas os valores nominais declarados nas duas eleições, o patrimônio passou de R$ 1,98 milhão para R$ 2,78 milhões, uma diferença de aproximadamente R$ 801 mil. Quando considerada a inflação do período, o crescimento real é menor, estimado em cerca de 27%.
O caso chama atenção também porque Carlos não é o único filho do ex-presidente Jair Bolsonaro a disputar uma eleição em Santa Catarina. Jair Renan Bolsonaro (PL), vereador de Balneário Camboriú, declarou patrimônio de R$ 187,3 mil para a eleição de 2026.
Na declaração de Jair Renan aparecem recursos mantidos em contas bancárias e um Volkswagen Jetta. Em 2024, quando concorreu ao cargo de vereador, ele havia declarado pouco mais de R$ 42 mil em bens. A diferença entre as duas declarações representa aumento nominal superior a quatro vezes.
Os números, entretanto, devem ser tratados como declarações patrimoniais apresentadas pelos próprios candidatos ao TSE. A existência de crescimento entre eleições, por si só, não significa irregularidade. Eventuais incompatibilidades entre patrimônio, rendimentos, movimentações financeiras e origem dos recursos dependem de cruzamentos de dados e de eventual análise pelos órgãos de fiscalização.
O sistema DivulgaCandContas do TSE disponibiliza ao eleitor informações sobre candidaturas, declaração de bens e prestação de contas eleitorais. A consulta pública permite acompanhar não apenas o patrimônio declarado, mas também a evolução das informações apresentadas durante o processo eleitoral.
Para o eleitor, a comparação entre declarações de diferentes eleições permite acompanhar mudanças no patrimônio informado pelos candidatos, mas não substitui uma investigação financeira ou fiscal. A análise mais aprofundada exige confrontar as declarações eleitorais com dados de renda, empresas, participações societárias, imóveis, veículos e prestações de contas de campanha.



