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domingo, março 29, 2026
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PF mira rombo de R$ 400 milhões na previdência do Amapá

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Operação Zona Cinzenta investiga aplicação temerária de recursos públicos em banco liquidado pelo BC e cumpre mandados em Macapá

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira (6) a Operação Zona Cinzenta para desarticular um suposto esquema de má gestão e irregularidades no Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá (RPPS/AP). A ofensiva foca no rastro de R$ 400 milhões retirados das contas previdenciárias dos servidores estaduais e aportados em Letras Financeiras do Banco Master. A instituição financeira foi liquidada pelo Banco Central em novembro passado após a constatação de uma crise terminal de liquidez, deixando investidores e entes públicos em um prejuízo iminente.

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A apuração aponta que a decisão de alocar quase meio bilhão de reais em títulos do banco agora extinto ignorou alertas de risco e diretrizes de prudência financeira. Os investigadores buscam entender por que o comitê de investimentos do Amapá deu luz verde para uma operação considerada de alto risco com dinheiro destinado à aposentadoria de milhares de trabalhadores. Quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos na capital amapaense por ordem da 4ª Vara da Justiça Federal.

O esquema de influência funciona em uma via de mão dupla: o governo estadual indica nomes de confiança para garantir a fluidez do caixa previdenciário, enquanto o Legislativo oferece o suporte político necessário para manter a estrutura intocada. Foto Divulgação PF

Entre os alvos centrais da Polícia Federal estão figuras do alto escalão da previdência estadual. Jocildo Silva Lemos, presidente da instituição, é um dos investigados, ao lado de Jackson Rubens de Oliveira e José Milton Afonso Gonçalves, ambos membros do comitê de investimentos. Os agentes apreenderam documentos e dispositivos eletrônicos que podem revelar se houve pagamento de vantagens indevidas ou pressão política para que o aporte no Banco Master fosse realizado, mesmo com os sinais de instabilidade da instituição.

O Banco Master, que teve sua liquidação decretada pelo BC por não conseguir honrar compromissos básicos, tornou-se o epicentro de um terremoto financeiro que agora atinge em cheio o Amapá. A PF tenta identificar o destino final das comissões geradas por essas operações e se houve conivência de agentes públicos para facilitar a entrada do banco no portfólio de investimentos do estado. O inquérito segue sob sigilo, mas a suspeita é de que o rombo no patrimônio público possa ser irreversível se os mecanismos de recuperação de ativos não forem acionados rapidamente.

A rede de influência por trás do rombo previdenciário no Amapá

O rastro do dinheiro que levou ao aporte de R$ 400 milhões no liquidado Banco Master revela uma teia de conexões que vai muito além de uma simples decisão técnica de mercado. A apuração sobre a árvore genealógica política das nomeações no Amapá Previdência (Amprev) indica que o presidente da instituição, Jocildo Silva Lemos, e os membros do comitê de investimentos, Jackson Rubens de Oliveira e José Milton Afonso Gonçalves, ocupam posições estratégicas fruto de uma composição de forças entre o Palácio Setentrião e a Assembleia Legislativa do Amapá (ALAP).

Nos bastidores da política amapaense, o Amprev é historicamente visto como um “espaço de prestígio” para acomodar aliados de grupos que dominam o estado há décadas. Blogs de política local e comentários em redes sociais de servidores já apontavam, muito antes da Operação Zona Cinzenta, que a diretoria do fundo guardava lealdade a figuras centrais do cenário político, o que poderia ter fragilizado o rigor técnico necessário para gerir o patrimônio dos servidores. A escolha pelo Banco Master, agora extinto, levanta suspeitas de que a instituição financeira mantivesse lobistas operando intensamente junto a esses núcleos de poder no Norte do país.

O esquema de influência funciona em uma via de mão dupla: o governo estadual indica nomes de confiança para garantir a fluidez do caixa previdenciário, enquanto o Legislativo oferece o suporte político necessário para manter a estrutura intocada. Fontes ligadas à investigação da Polícia Federal agora cruzam as datas das nomeações com os períodos em que as Letras Financeiras foram emitidas pelo Banco Master. O objetivo é checar se houve uma “ordem superior” para que o fundo de previdência ignorasse as classificações de risco e injetasse o dinheiro no banco que já apresentava sinais de insolvência.

Além da conexão política, a PF investiga a relação dos gestores com empresas de consultoria financeira que costumam transitar livremente por Macapá. Essas empresas são suspeitas de atuar como “ponte” entre bancos de segunda linha e fundos de previdência estaduais e municipais, muitas vezes oferecendo vantagens que não aparecem nos balanços oficiais. Com a liquidação do Banco Master pelo Banco Central, a pressão sobre os padrinhos políticos das nomeações aumentou, uma vez que o rombo de quase meio bilhão de reais ameaça diretamente a futura solvência do estado e a tranquilidade dos aposentados.

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