Planalto vê mudança no cenário político após avanço das investigações envolvendo Daniel Vorcaro e aliados do bolsonarismo; Davi Alcolumbre entra no radar da crise

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia reenviar ao Senado Federal a indicação do atual Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. A movimentação é tratada nos bastidores do Palácio do Planalto como uma resposta direta à crise política desencadeada pelas investigações do chamado caso Master e pelo desgaste crescente de setores ligados ao bolsonarismo e ao Centrão.
Segundo interlocutores do governo, Lula passou a considerar que houve mudança profunda na correlação de forças em Brasília após o avanço das apurações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, o Banco Master e figuras políticas próximas da direita e do Centrão. A avaliação interna é que o escândalo abriu uma janela para recuperar espaço institucional perdido após a rejeição inédita do nome de Jorge Messias pelo Senado.
A derrota de Messias ocorreu há poucas semanas em uma votação considerada histórica. O Senado rejeitou a indicação presidencial para o STF pela primeira vez em mais de um século, em um episódio interpretado pelo núcleo político do governo como afronta direta à prerrogativa constitucional do Executivo.
Nos bastidores do Planalto, a leitura consolidada é que a derrubada do nome do AGU teria resultado de uma articulação entre parlamentares do Centrão, setores bolsonaristas, integrantes do Senado e até membros do Judiciário interessados em influenciar a composição da Suprema Corte em meio ao avanço das investigações financeiras e políticas envolvendo o caso Master.
Aliados do governo afirmam que Jorge Messias passou a ser visto por grupos políticos conservadores como um obstáculo potencial a tentativas de blindagem institucional relacionadas às apurações. O AGU mantém proximidade com o ministro André Mendonça e possui perfil técnico considerado rígido na defesa institucional do Estado.
O cenário político mudou de forma significativa após a divulgação de áudios atribuídos ao senador Flávio Bolsonaro relacionados a negociações financeiras envolvendo Daniel Vorcaro e o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo as revelações, valores milionários teriam sido discutidos entre o entorno do banqueiro e integrantes do núcleo bolsonarista.
Dentro do governo, a interpretação é que o desgaste provocado pelas novas revelações enfraqueceu politicamente os setores que articularam a rejeição de Jorge Messias. A estratégia do Planalto seria transformar o reenvio do nome do AGU em símbolo de enfrentamento político e moralização institucional diante da crise.
Outro alvo direto da ofensiva política é o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Interlocutores do governo afirmam que Lula considera que Alcolumbre liderou a articulação que derrubou a indicação de Messias e agora estaria vulnerável politicamente por causa de investigações relacionadas a aplicações financeiras do fundo previdenciário do Amapá no Banco Master.
O Palácio do Planalto avalia que um novo veto ao nome de Jorge Messias poderia gerar forte desgaste público para senadores diante da associação política construída entre a rejeição anterior e o avanço das investigações envolvendo o sistema financeiro e aliados do bolsonarismo.
Por estratégia política e jurídica, Jorge Messias permanece em silêncio público e afastado dos holofotes. Segundo auxiliares do governo, o AGU deve manter postura institucional discreta até o fim de seu período de férias, enquanto o Planalto trabalha para reconstruir apoio no Senado antes de oficializar o reenvio da indicação.
Até o momento, o Senado Federal e Davi Alcolumbre não comentaram oficialmente as informações sobre uma possível nova indicação de Jorge Messias ao STF.




