Presidente participou da inauguração de novas linhas do acelerador de partículas Sirius no CNPEM e defendeu investimento em ciência como estratégia de soberania nacional e desenvolvimento econômico

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (18), em Campinas, que o Brasil precisa romper com a lógica histórica de dependência tecnológica e ampliar investimentos em ciência e inovação para conquistar soberania internacional. A declaração ocorreu durante visita ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), onde Lula participou da inauguração de quatro novas linhas de luz síncrotron do acelerador de partículas Sirius e do lançamento da pedra fundamental do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde.
“O Brasil precisa sair do atraso a que ele foi submetido durante todo o século XX e toda a sua história. Nós vamos provar que o Brasil deixou de conquistar muita coisa porque a gente não fez investimento”, afirmou Lula durante discurso para pesquisadores e autoridades. O presidente também classificou o complexo científico de Campinas como um projeto capaz de dar “respeitabilidade mundial” ao país.
Ciência e soberania
Considerado uma das mais avançadas infraestruturas científicas do planeta, o Sirius funciona como um “supermicroscópio” capaz de analisar estruturas atômicas e moleculares em escala nanométrica. O equipamento coloca o Brasil em um grupo restrito de países que possuem fonte de luz síncrotron de quarta geração.
Durante a cerimônia, foram inauguradas as linhas Tatu, Sapucaia, Quati e Sapê, voltadas a pesquisas em áreas estratégicas como semicondutores, inteligência artificial, novos materiais, nanotecnologia, saúde, energia renovável e minerais críticos. Segundo o CNPEM, entre 85% e 90% dos componentes do Sirius foram produzidos no Brasil, fortalecendo a indústria nacional de alta precisão.
A ministra Luciana Santos afirmou que o complexo integrado entre o Sirius e o futuro laboratório Orion será único no mundo. “A pandemia deixou uma lição clara: não existe soberania sem ciência e tecnologia”, declarou.
Projeto Orion e saúde pública
O governo federal também apresentou avanços do projeto Orion, laboratório de máxima contenção biológica que será instalado em Campinas para pesquisa de vírus e patógenos perigosos. O centro será o primeiro da América Latina com nível máximo de biossegurança conectado a uma fonte de luz síncrotron.
Segundo o Ministério da Saúde, os investimentos previstos ultrapassam R$ 600 milhões nos próximos cinco anos. O objetivo é ampliar a produção nacional de tecnologias estratégicas para o SUS, incluindo biomoléculas, vacinas, biossensores, diagnósticos avançados e dispositivos médicos.
O ministro da Saúde em exercício, Adriano Massuda, afirmou que o projeto busca reduzir a dependência brasileira de tecnologias importadas. “A ciência brasileira precisa estar a serviço da vida, da redução das desigualdades e da construção de um país soberano”, disse.
Disputa tecnológica global
A agenda em Campinas ocorre em um momento em que o governo federal tenta reposicionar o Brasil na corrida tecnológica internacional, especialmente após o enfraquecimento de investimentos científicos durante governos anteriores. Integrantes do Palácio do Planalto avaliam que áreas como semicondutores, inteligência artificial, biotecnologia e produção farmacêutica passaram a ter papel estratégico diante da disputa geopolítica global entre Estados Unidos e China.
Nos bastidores do governo, o avanço do CNPEM e do Sirius também é tratado como instrumento político para reforçar a imagem de retomada do investimento estatal em pesquisa e indústria nacional, contrapondo o discurso liberal que marcou parte das políticas de desestatização e redução do papel do Estado na última década.
O prefeito Dário Saadi afirmou que Campinas consolidou-se como um dos principais polos de inovação do país. “Esse investimento é fundamental não apenas para Campinas, mas para o Brasil”, declarou.




