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Proteína polilaminina entra em teste clínico para lesão medular e pacientes recorrem à Justiça para ter acesso

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Anvisa autorizou estudo controlado; relatos individuais apontam recuperação parcial de sensibilidade

Segundo a pesquisadora, a lógica biológica da terapia parte da função das lamininas no crescimento neural. Foto Reprodução

Hawanna, paciente com lesão medular, afirma ter recuperado sensações após tratamento experimental com polilaminina, proteína derivada da placenta humana que está sendo estudada no Brasil como possível terapia regenerativa. O ensaio clínico foi autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, enquanto ao menos 50 pacientes já acionaram a Justiça para tentar acesso ao produto fora dos critérios formais da pesquisa.

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Segundo o relato, Hawanna passou a perceber estímulos que antes não sentia. “Se uma mosca pousar na minha canela, eu sinto”, descreveu. Ela também afirma notar temperatura e dor, ainda que com atraso na resposta, além de relatar melhora na sensibilidade de bexiga e intestino, maior controle de tronco, redução de episódios de perda urinária e fortalecimento de braços e costas.

A polilaminina está em fase de ensaio clínico controlado, etapa considerada essencial para avaliar segurança e eficácia. Em nota, a Anvisa reforçou que apenas estudos conduzidos em todas as fases regulamentares podem comprovar resultados terapêuticos. A agência destacou ainda que, quando o paciente não se enquadra nos critérios do protocolo de pesquisa, pode haver possibilidade de acesso por meio do chamado uso compassivo, mecanismo previsto para situações específicas e sob avaliação técnica.

Especialistas alertam que relatos individuais, embora relevantes, não substituem evidências científicas consolidadas. Ensaios clínicos randomizados são necessários para determinar se os efeitos observados decorrem do tratamento, de variações naturais do quadro clínico ou de outros fatores associados à reabilitação.

O avanço das ações judiciais demonstra a expectativa de pacientes com lesão medular por alternativas terapêuticas. No entanto, até a conclusão das etapas de pesquisa, a aplicação da polilaminina permanece em caráter experimental e sob acompanhamento regulatório.

Segundo a pesquisadora, a lógica biológica da terapia parte da função das lamininas no crescimento neural. “Como que faz para o axônio crescer na vida real? Ele cresce em cima de uma pista de laminina. Quando tem uma lesão, tem pista de laminina? Não. E se a gente der a pista? Ah, ele volta a crescer”, explicou. Os axônios são extensões dos neurônios responsáveis por conduzir impulsos elétricos — uma espécie de ponte para a transmissão da informação no sistema nervoso.

RESULTADOS PRELIMINARES

Em estudo acadêmico com oito pacientes diagnosticados com lesão medular completa, os dados indicaram recuperação motora em proporção superior à descrita na literatura científica tradicional. “Com lesão completa, o que se vê na literatura é que apenas 10% das pessoas recuperam função motora. No nosso estudo acadêmico foi 75%”, afirmou Tatiana Sampaio.

Os ganhos relatados são descritos como discretos, porém funcionais. De acordo com o médico Marco — que acompanha pacientes submetidos ao protocolo — houve casos de pessoas que passaram a ficar em pé com auxílio de tutor e a realizar movimentos passivos em bicicleta terapêutica, ampliando autonomia e qualidade de vida.

RELATO DE PACIENTE

Diogo, que sofreu ruptura total da medula após queda provocada por choque elétrico, passou por três unidades hospitalares até receber a aplicação experimental. Semanas depois, relatou o primeiro movimento voluntário do pé. “De madrugada, comecei a mandar o comando para o pé direito e vi o pé inteiro mexer para frente e para trás. Chamei minha esposa. Foi um momento de muita emoção”, contou.

Especialistas ressaltam que os resultados ainda fazem parte de estudo controlado e que apenas a conclusão das fases clínicas poderá confirmar segurança e eficácia em escala maior. A Anvisa reforça que o tratamento permanece em caráter experimental, e que comprovação científica depende de ensaios clínicos completos, com critérios rigorosos e acompanhamento regulatório.

Metadescrição (SEO): Pesquisa iniciada na UFRJ por Tatiana Sampaio estuda polilaminina para lesão medular; estudo preliminar indica recuperação motora acima da média histórica.

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