Em entrevista, Fernando Haddad (PT) busca ampliar base eleitoral, dialoga com setor rural e questiona políticas de Tarcísio de Freitas (Republicanos)

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O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), detalhou sua estratégia eleitoral ao defender aproximação com setores do agronegócio e criticar a gestão do atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A declaração foi feita em entrevista ao programa Poder Expresso, do SBT News, nesta quinta-feira (9).
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Durante a entrevista, Haddad mencionou conversas com a pecuarista Teca Vendramini, ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira, destacando o que classificou como “agronegócio moderno”. “Ela é uma pessoa muito progressista […] tem um grupo do agro que é extremamente moderno, tem compromisso ambiental”, afirmou, ao sinalizar abertura para composições políticas com o setor.
O ex-ministro também revelou ter procurado o presidente do PSD, Gilberto Kassab, em tentativa de diálogo. Sem confirmar alianças, Haddad disse que busca compreender o posicionamento do partido no estado. “Você acha que nós conseguiríamos aprovar tantas reformas […] se não fosse com muita conversa?”, declarou.
Críticas à segurança pública e gestão estadual
Na área de segurança, Haddad criticou a condução do governo paulista, apontando falta de articulação com o governo federal e outros estados. “O governo do estado de São Paulo está muito ensimesmado”, disse, ao defender maior cooperação interfederativa no combate ao crime organizado.
Ele também propôs o uso de inteligência financeira para rastrear fluxos internacionais de recursos ilícitos. “Nós temos como mostrar para as autoridades americanas que há uma lavagem de dinheiro […] e o dinheiro volta para cá”, afirmou.
O ex-ministro citou ainda a Operação Carbono Oculto como exemplo de integração entre órgãos públicos. “Há muito o que aprender com o sucesso dessas operações”, declarou.
Educação e militarização das escolas
Haddad criticou a presença de policiais militares em escolas estaduais, política adotada pela atual gestão. “Você viu a barbaridade […] pessoas sem preparo para estar em uma sala de aula”, afirmou, defendendo um modelo mais voltado à participação da comunidade escolar.
Segundo ele, há aproximação com técnicos e ex-integrantes de gestões anteriores, incluindo quadros ligados ao PSDB, interessados em colaborar com propostas consideradas mais “modernas”.
Estratégia eleitoral e disputas de narrativa
A movimentação de Haddad indica tentativa de ampliar sua base para além do eleitorado tradicional da esquerda, com foco em setores estratégicos como o agronegócio e partidos de centro. A aproximação com lideranças rurais e o diálogo com o PSD ocorrem em meio à disputa por alianças no estado mais relevante do país. Ao mesmo tempo, o endurecimento do discurso contra a gestão estadual sugere a construção de uma narrativa de contraste, especialmente nas áreas de segurança pública e educação. Analistas avaliam que o reposicionamento busca reduzir resistências e disputar espaços em segmentos historicamente menos alinhados ao PT, em um cenário de polarização e fragmentação política.




