Até o momento, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não confirmou a agenda com o senador Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) embarcou na noite do último domingo (24) em um voo direto do Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) com destino a Washington, nos Estados Unidos. A viagem, com retorno previsto para a próxima quarta-feira (27), ocorre no momento mais crítico de sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026, motivada pelas investigações da Polícia Federal (PF) sobre repasses milionários feitos pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que foi preso recentemente.
A assessoria e aliados do parlamentar articulam uma agenda com o presidente norte-americano, Donald Trump, na tentativa de mitigar o desgaste de imagem no Brasil. No entanto, até o momento do embarque, a Casa Branca não havia confirmado oficialmente nenhum compromisso com o senador brasileiro.
O Enredo de “Dark Horse” e as Mensagens Vazadas
O centro da crise que atinge a pré-campanha do “Filho Zero Um” é o financiamento do filme Dark Horse, uma cinebiografia que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Mensagens e áudios revelados pelo portal The Intercept Brasil expuseram o senador cobrando e coordenando repasses financeiros diretamente com Daniel Vorcaro para subsidiar a produção cinematográfica, que conta com a participação do ator de Hollywood Jim Caviezel.
De acordo com as investigações, o orçamento total acordado para o longa-metragem seria de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões). Desse montante, pelo menos R$ 61 milhões teriam sido efetivamente liberados pelo banqueiro entre fevereiro e maio de 2025 por meio de um fundo sediado no Texas, nos EUA.
Reportagem recente do jornal britânico Financial Times classificou a produção como uma “comédia de erros” que hoje ameaça a viabilidade eleitoral de Flávio, uma vez que o volume de dinheiro repassado por Vorcaro supera o orçamento somado de grandes produções do cinema nacional recente.
A Polícia Federal apura o caminho do dinheiro e investiga a suspeita de que parte dos valores possa ter sido desviada para custear despesas pessoais do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Mudança de Versão e Dança das Cadeiras no Marketing
A reação do ecossistema bolsonarista mudou substancialmente nos últimos dias. Inicialmente, Flávio Bolsonaro negou qualquer ligação ou recebimento de verbas vindas do dono do Banco Master. Após a divulgação irrefutável dos áudios, o senador recuou, admitindo o patrocínio, mas alegando que os recursos são “estritamente privados” e que não há o envolvimento de verbas públicas ou renúncia fiscal. O parlamentar também confirmou publicamente que chegou a se encontrar com Vorcaro mesmo após a primeira prisão do banqueiro.
O abalo nas redes sociais e o descontentamento interno no Partido Liberal (PL) forçaram uma reestruturação imediata na equipe de comunicação. O marqueteiro Marcello Lopes deixou o comando da pré-campanha após vir à tona que ele também estava citado em documentos de monitoramento ligados a Vorcaro. O publicitário Eduardo Fischer assumiu o posto com o desafio de estancar a crise e reformular o posicionamento do candidato. Como contra-ataque visual, Flávio e Eduardo Bolsonaro publicaram simultaneamente o trailer oficial de Dark Horse nas redes sociais para tentar reengajar a base conservadora.
Enquanto a oposição acusa Flávio de usar a viagem como pretexto de marketing — contrastando o episódio com a recente agenda bilateral considerada positiva entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Trump —, parlamentares em Brasília agiram rápido na esfera jurídica. Foi protocolada uma representação formal pedindo o bloqueio de bens do senador e a apreensão imediata de seu passaporte, sob a alegação de que a saída do país durante o avanço das investigações do caso Master configuraria risco de fuga.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não confirmou a agenda com o senador Flávio Bolsonaro.
Embora o ecossistema e apoiadores bolsonaristas tenham divulgado nas redes sociais que a reunião ocorreria nesta terça-feira (26) na Casa Branca, o cenário oficial de momento aponta para incertezas:
- Posição da Casa Branca: A administração norte-americana mantém o tom protocolar e não incluiu o parlamentar brasileiro em seus compromissos oficiais. O vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, foi enfático ao declarar à imprensa que “não tem nenhuma atualização” sobre o caso.
- Fatores Diplomáticos Externos: Aliados do próprio senador admitiram reservadamente preocupação com um possível adiamento ou cancelamento do aceno. Donald Trump desmarcou compromissos recentes para se concentrar exclusivamente em Washington em função de desdobramentos de um acordo geopolítico com o Irã.
- Recuo e Versão de Flávio: Diante da falta de confirmação oficial e da repercussão no Brasil, o próprio Flávio Bolsonaro tentou mudar a narrativa antes de embarcar. Ao ser questionado no Congresso Nacional, respondeu em inglês e de forma irônica afirmando que não havia pedido uma agenda (“Nobody asked”), empurrando para Washington a responsabilidade de cravar ou não o encontro: “Tem que perguntar para a Casa Branca”.
A comitiva de Flávio Bolsonaro tenta usar a intermediação de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, e de congressistas republicanos ligados ao secretário de Estado Marco Rubio para carimbar a foto com Trump de última hora — o que daria fôlego à sua pré-candidatura em meio ao escândalo com o Banco Master. Contudo, oficialmente, as portas da Casa Branca ainda não foram abertas para o senador.




