Documento coordenado por José Dirceu será debatido no encontro do partido e prevê ajustes na política monetária e nos mandatos da diretoria do BC

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O Partido dos Trabalhadores (PT) incluiu em sua proposta de programa político a revisão da meta de inflação atualmente fixada em 3% e mudanças no funcionamento do Banco Central. O texto será discutido durante o 8º Congresso Nacional da sigla e propõe, entre outros pontos, alinhar os mandatos da diretoria do BC ao do presidente da República e ampliar os objetivos da política monetária. A iniciativa foi coordenada pelo ex-ministro José Dirceu.
A proposta surge em meio a críticas internas à política de juros elevados mantida desde 2024, mesmo com níveis de inflação considerados controlados. Integrantes do partido e do governo avaliam que o atual cenário tem impacto sobre o crescimento econômico e a geração de empregos, embora evitem defender mudanças imediatas para não provocar instabilidade no mercado financeiro, especialmente em período pré-eleitoral.
Mudanças estruturais e impacto econômico
O documento sugere que o controle da inflação deixe de ser o único eixo central da política monetária, passando a dividir espaço com metas de desenvolvimento econômico, estímulo ao emprego e fortalecimento da produção. Atualmente, esses objetivos são considerados secundários na legislação que garante autonomia ao Banco Central.
Outro ponto relevante é a proposta de “harmonização” dos mandatos da diretoria do BC com o ciclo político do Executivo federal. A medida, segundo o texto, permitiria maior coordenação entre políticas monetária, fiscal e de desenvolvimento, reduzindo conflitos institucionais.
A discussão também retoma posições já defendidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que em ocasiões anteriores mencionou a possibilidade de metas de inflação mais elevadas, como o patamar de 4,5% adotado em seus mandatos anteriores.
Pelas regras atuais, mudanças na meta de inflação definidas pelo Conselho Monetário Nacional possuem prazo de implementação de até 36 meses. Especialistas apontam que eventuais alterações podem ser feitas por decreto, mas envolvem riscos de reação do mercado e impactos sobre expectativas econômicas.
A inclusão do tema no programa partidário indica que o debate sobre o papel do Banco Central e a condução da política econômica deve ganhar força nos próximos ciclos eleitorais, com possíveis reflexos na estratégia econômica do país.




