Investigação aponta mesadas de até R$ 500 mil, viagens de luxo e textos de leis redigidos por banqueiro e entregues em envelope na casa do senador

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A Polícia Federal revelou detalhes profundos sobre a “parceria” criminosa entre o senador Ciro Nogueira (PP) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo a Operação Compliance Zero, o parlamentar transformou seu mandato em um balcão de negócios, apresentando emendas e projetos de lei redigidos pela própria assessoria do banco em troca de pagamentos mensais recorrentes, viagens internacionais de alto padrão e até o custeio de jantares e cartões de crédito para despesas pessoais.
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Mensagens interceptadas entre Daniel Vorcaro e seu operador financeiro, Felipe Vorcaro, mostram que o fluxo de propina era constante. Em junho de 2025, o banqueiro chegou a cobrar o primo pelo atraso nos repasses: “Atrasou dois meses Ciro?”.
A resposta do operador revelou os valores astronômicos envolvidos, questionando se o pagamento deveria continuar em R$ 500 mil ou se poderia ser reduzido para R$ 300 mil mensais. O dinheiro era escoado através de empresas de fachada, como a CNLF Empreendimentos, controlada pelo irmão do senador, Raimundo Neto.
A contrapartida para o “investimento” do banco era a atuação direta de Ciro no Legislativo. Um dos casos mais graves envolve a emenda nº 11 à PEC nº 65/2023. A PF descobriu que o texto, que visava quadruplicar o limite de garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para R$ 1 milhão, foi entregue em um envelope na residência do senador.
Após o protocolo, Vorcaro vangloriou-se em conversas de que a proposta saiu “exatamente como mandei”, prevendo que a medida faria os negócios do Banco Master “sextuplicarem”. Outros projetos, como o PATEN e o SBCE, também passaram pelo crivo do banqueiro antes de chegarem ao gabinete.
A “Dolce Vita” financiada pelo crime
A investigação mostra que Ciro Nogueira era o “destinatário central” de uma vida de ostentação bancada pelo Banco Master. Diálogos expõem operadores organizando o pagamento de restaurantes para o senador e sua ex-esposa em viagens internacionais. Em um dos trechos, Daniel Vorcaro ordena que seu cartão de crédito seja enviado para St. Barths, no Caribe, para cobrir gastos do parlamentar. Além do luxo, a PF identificou fraudes societárias, como a compra de 30% da Green Investimentos pela empresa da família Nogueira com um desconto milionário, configurando lavagem de dinheiro.
O peso político do Progressistas e o Banco Master
O avanço das investigações sobre Ciro Nogueira balança as estruturas de Brasília. Como presidente do Progressistas, o senador é uma das figuras mais influentes do Congresso, controlando fatias importantes do Orçamento e indicações políticas. O Banco Master, por sua vez, vem apresentando um crescimento agressivo no mercado financeiro nos últimos anos, o que agora é colocado sob suspeita de ter sido impulsionado por “encomendas legislativas”.
A varredura em blogs de bastidores e redes sociais indica que o caso pode atingir outros nomes do partido, já que a “parceria BRGD/CNLF” parece ser apenas a ponta do iceberg de um esquema institucionalizado de venda de emendas.




