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quarta-feira, maio 6, 2026
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Grávida de cinco meses relata espancamento por ex-patroa no Maranhão após falsa acusação de roubo

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Empresária é investigada por agredir doméstica de 19 anos em Paço do Lumiar; áudios obtidos pela polícia narram violência e ameaças contra a vítima

Em uma ação de 2024, ela foi condenada por calúnia após acusar falsamente uma ex-babá de roubo de uma pulseira de ouro. Foto Reprodução TV Mirante

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Uma empregada doméstica de 19 anos, grávida de cinco meses, denunciou ter sido brutalmente espancada pela ex-patroa após ser acusada de roubar joias em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís. O caso aconteceu no dia 17 de abril e é investigado pela Polícia Civil do Maranhão.

Segundo o boletim de ocorrência, a jovem foi agredida pela empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos dentro da residência onde trabalhava como empregada doméstica temporária. A vítima afirmou que aceitou o emprego para conseguir dinheiro para montar o enxoval do bebê.

A jovem relatou que sofreu puxões de cabelo, socos, tapas, murros e agressões físicas contínuas por mais de uma hora. Durante o espancamento, ela disse que tentou proteger a barriga para evitar ferimentos ao bebê.

“Começou com puxões de cabelo. Eu fui derrubada no chão e passei boa parte do tempo ali. Foram tapas, socos e murros… foi sem parar. Eles não se importavam”, afirmou a vítima.

Segundo o relato, mesmo após o objeto desaparecido ser encontrado dentro do cesto de roupas da própria residência, as agressões continuaram.

“Eu, graças a Deus, não levei nenhum chute, porque fiquei protegendo minha barriga o tempo todo, mas o restante do corpo ficou todo marcado”, declarou.

ÁUDIOS DESCREVEM VIOLÊNCIA

A investigação ganhou novos elementos após a divulgação de áudios atribuídos à empresária e obtidos pela TV Mirante. As mensagens, segundo a Polícia Civil, já foram anexadas ao inquérito policial como provas do caso.

Nos áudios, a suspeita descreve detalhes das agressões e afirma que contou com a ajuda de um homem armado para intimidar a jovem doméstica durante a busca pela joia desaparecida.

“Quase uma hora essa menina no massacre, e tapa e murro e pisava nos dedos. Tudo que vocês imaginarem de doidice, era eu e ele fazendo”, diz uma das gravações atribuídas à empresária.

Em outro trecho, Carolina Sthela afirma que a vítima “não era pra ter saído viva” e relata agressões físicas que, segundo a defesa da vítima, configuram tortura, cárcere privado e violência contra gestante.

A vítima afirma que uma das marcas na testa teria sido causada por uma coronhada. O exame de corpo de delito confirmou lesões pelo corpo da jovem.

VERSÕES DIFERENTES E INVESTIGAÇÃO

Após o caso vir à tona, Carolina Sthela também registrou boletim de ocorrência. Na versão apresentada à polícia, a empresária alegou que encontrou joias na bolsa da empregada e que a jovem teria fugido antes da chegada da polícia.

Em nota, a defesa da empresária afirmou que as acusações representam “uma distorção do que realmente aconteceu” e declarou que medidas judiciais foram tomadas para esclarecer os fatos.

O marido da suspeita negou a autenticidade dos áudios divulgados pela imprensa e afirmou que as mensagens seriam “inverdades”.

O caso é investigado pela 21ª Delegacia de Polícia Civil do Araçagy. Até o momento, a empresária não foi presa nem formalmente indiciada.

HISTÓRICO DE ACUSAÇÕES

A Polícia Civil informou que existem mais de dez processos judiciais envolvendo Carolina Sthela Ferreira dos Anjos.

Em uma ação de 2024, ela foi condenada por calúnia após acusar falsamente uma ex-babá de roubo de uma pulseira de ouro. Na ocasião, a Justiça determinou pena de seis meses em regime aberto, convertida em prestação de serviços comunitários, além de indenização de R$ 4 mil por danos morais.

A ex-babá, identificada como Sandila Souza, também denunciou a empresária por falsas acusações. Segundo ela, Carolina chegou a ameaçar registrar boletim de ocorrência afirmando que havia roubado objetos da residência.

A Ordem dos Advogados do Brasil, por meio da Comissão de Direitos Humanos, informou que acompanha o caso atual e prepara relatório sobre os processos envolvendo a suspeita.

Organizações de defesa dos direitos das mulheres e trabalhadoras domésticas passaram a cobrar investigação rigorosa, responsabilização criminal e proteção à vítima, diante da gravidade das denúncias e do contexto de violência física e psicológica envolvendo uma gestante.

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