O conluio entre auditores, caciques do centrão e magnatas das apostas em voo vindo de paraíso fiscal levanta suspeitas de contrabando e favorecimento ilícito

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A Polícia Federal (PF) instaurou um inquérito para apurar a entrada irregular de bagagens no Aeroporto Executivo Internacional Catarina, em São Roque (SP), envolvendo uma comitiva de parlamentares de alto escalão vinda de São Martinho, no Caribe. O episódio, ocorrido em 20 de abril de 2024, coloca sob a lupa do Supremo Tribunal Federal (STF) o presidente da Câmara, Hugo Motta [REPUBLICANOS-PB], e o senador Ciro Nogueira [PP-PI].
A suspeita central é de que cinco malas tenham sido liberadas sem passar pelo raio-X da Receita Federal, configurando possível crime de facilitação de contrabando ou descaminho, em um flagrante desrespeito às normas aduaneiras que regem o restante da população brasileira.
A aeronave utilizada no trajeto pertence ao empresário Fernando Oliveira Lima, o “Fernandin OIG”, figura central no nebuloso setor de apostas online (bets), que hoje drena a renda das famílias trabalhadoras brasileiras. Além dos nomes citados, os deputados Dr. Luizinho [PP-RJ] e Isnaldo Bulhões [MDB-AL] também compunham a lista de passageiros.
A conexão entre a elite política e o empresariado do jogo levanta questões profundas sobre quem realmente governa o país e quais interesses foram “despachados” sem vistoria naquele desembarque noturno. Enquanto o povo enfrenta o rigor das fronteiras, a burguesia política parece desfrutar de um “corredor diplomático” privado em aeroportos executivos.
As investigações apontam que o auditor fiscal Marco Antônio Canella teria autorizado o piloto José Jorge de Oliveira Júnior a retirar as malas sem a devida inspeção. O caso foi remetido ao STF pelo ministro Alexandre de Moraes, após o Ministério Público Federal identificar que a presença de autoridades com prerrogativa de foro impede o julgamento na primeira instância.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) tem agora cinco dias para se manifestar sobre a continuidade das investigações que tocam o coração do poder legislativo nacional.
Em nota, o deputado Hugo Motta [REPUBLICANOS-PB] confirmou que estava no voo, mas alegou que “cumpriu todos os protocolos e determinações estabelecidas na legislação aduaneira” e que aguardará a manifestação da PGR. Até o fechamento desta edição, Ciro Nogueira [PP-PI], Dr. Luizinho [PP-RJ], Isnaldo Bulhões [MDB-AL] e o empresário Fernandin OIG não se pronunciaram sobre o conteúdo das malas ou a razão do privilégio no desembarque.
A Receita Federal declarou que investigações internas correm sob sigilo. O Jornal Local seguirá acompanhando as conexões entre o capital das apostas e a bancada governista neste episódio que exala o odor do favoritismo de classe.




