Investigação comercial dos EUA ameaça Brasil com sanções; governo Alckmin vê “lobby indevido” de operadoras de cartão contra sistema brasileiro

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reúne-se nesta quinta-feira (7) com o presidente americano Donald Trump, na Casa Branca, em uma missão diplomática marcada pela urgência econômica. O ponto central da agenda é a defesa do Pix, alvo de uma investigação comercial aberta pelos Estados Unidos sob a “Seção 301”, que pode resultar em sanções e novas tarifas contra o Brasil.
O governo americano alega que o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro cria uma concorrência desleal para gigantes do setor, como Visa e Mastercard.
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Em Brasília, o vice-presidente Geraldo Alckmin, no exercício da Presidência, classificou a ameaça de sanções como uma “preocupação prioritária” e afirmou que a investigação “não tem muito sentido”. Para o ministro da Fazenda, Dario Durigan, que acompanha a comitiva, o movimento é fruto de um “lobby indevido” das operadoras de cartão.
Durigan ressaltou que o Pix é uma infraestrutura pública e que o governo brasileiro está disposto a detalhar tecnicamente o modelo para afastar qualquer narrativa de protecionismo comercial.
A disputa ganha contornos mais rígidos após a Suprema Corte dos EUA ter suspendido o “tarifaço” anterior de Trump por falta de base legal. Agora, o relatório da Seção 301, previsto para julho, pode oferecer o fundamento necessário para que a Casa Branca aplique novos pacotes de tarifas. Além do setor financeiro, a investigação americana mira a produção de etanol e o desmatamento ilegal no Brasil, sinalizando que os EUA pretendem usar questões regulatórias como instrumentos de pressão política e econômica.
Geopolítica e segurança na mesa de negociações
A visita de Lula a Washington não se restringe à pauta comercial. Acompanhado por uma comitiva de peso — que inclui o chanceler Mauro Vieira e o diretor-geral da PF, Andrei Passos — o presidente brasileiro também deve discutir temas sensíveis da geopolítica global, como o conflito no Irã e a exploração de terras raras.
A presença da cúpula da segurança e energia indica que o Brasil busca barganhar cooperação em áreas estratégicas para suavizar a postura beligerante de Trump em relação ao mercado brasileiro. Nos bastidores diplomáticos, o clima é de ceticismo: acredita-se que, independentemente da clareza técnica sobre o Pix, os EUA manterão a ofensiva para proteger seu mercado de serviços financeiros.




