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terça-feira, maio 12, 2026
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Thiago Ávila retorna ao Brasil após prisão em Israel e acusa governo israelense de tortura psicológica

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Ativista da flotilha humanitária Global Sumud desembarcou em Guarulhos após dez dias detido; caso ampliou tensão diplomática entre Brasil e Israel e mobilizou organizações internacionais de direitos humanos

Esta não foi a primeira vez que ele foi detido por autoridades israelenses durante ações ligadas à Faixa de Gaza. Foto Paulo Pinto/Agencia Brasil

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O ativista brasileiro Thiago Ávila desembarcou nesta segunda-feira (11) no Aeroporto Internacional de Guarulhos após passar dez dias preso em Israel. Integrante da flotilha humanitária Global Sumud, ele foi interceptado por forças israelenses em águas internacionais enquanto participava de missão de ajuda humanitária destinada à Faixa de Gaza.

Recebido por apoiadores com bandeiras palestinas e manifestações contra o governo israelense, Thiago chegou ao Brasil após deportação via Cairo, no Egito. Durante o reencontro com militantes e ativistas, afirmou: “Somos a geração que vai derrotar o sionismo”.

Em declaração à imprensa, Thiago Ávila defendeu posicionamento mais duro do Estado brasileiro diante da ofensiva israelense em Gaza. “É dever do Estado brasileiro agir contra o genocídio [de palestinos]. O povo palestino é muito grato ao Brasil e ao povo brasileiro pelas mobilizações que têm feito”, afirmou.

O ativista também criticou a influência política do sionismo em instituições brasileiras. “As garras do sionismo estão presentes nos nossos governos estaduais, nossos governos municipais, o nosso Judiciário”, declarou.

Segundo relatos da família e da ONG israelense Adalah, responsável pela defesa jurídica dos ativistas, Thiago teria sido submetido a tortura psicológica durante o período de detenção. A entidade afirma que ele permaneceu em cela solitária iluminada 24 horas por dia, passou por longos interrogatórios e foi obrigado a circular vendado, inclusive em atendimentos médicos.

A esposa do ativista, Lara Souza Ávila, relatou que as condições impostas provocaram privação de sono e desorientação psicológica. Familiares afirmam ainda que autoridades israelenses teriam ameaçado manter Thiago preso por até 100 anos.

Após deixar Israel, o ativista declarou: “Ficamos sob luz intensa o tempo inteiro. Tentaram nos desorientar psicologicamente”.

Em nota pública, a Adalah classificou a prisão como “flagrante violação do direito internacional” e acusou Israel de realizar “um ataque punitivo contra uma missão puramente civil”. A organização afirmou ainda que o tratamento dado aos integrantes da flotilha representa tentativa de repressão à solidariedade internacional aos palestinos em Gaza.

O governo de Israel negou as acusações de tortura e sustentou que a flotilha teria ligação com grupos próximos ao Hamas. Os organizadores da missão rejeitam a acusação e afirmam que a iniciativa possuía caráter exclusivamente humanitário.

A prisão provocou repercussão diplomática internacional. Os governos do Brasil e da Espanha divulgaram nota conjunta condenando o que chamaram de sequestro de cidadãos em águas internacionais. A Organização das Nações Unidas também pediu a libertação imediata dos ativistas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “manter a prisão do cidadão brasileiro Thiago Ávila é uma ação injustificável do governo de Israel”.

Com mais de 800 mil seguidores nas redes sociais, Thiago Ávila tornou-se um dos principais rostos brasileiros da mobilização internacional pró-Palestina. Esta não foi a primeira vez que ele foi detido por autoridades israelenses durante ações ligadas à Faixa de Gaza.

O episódio ocorre em meio ao aprofundamento da crise diplomática entre os governos Lula e Israel, marcada por trocas de acusações públicas desde o agravamento da guerra em Gaza. Analistas internacionais avaliam que o caso pode ampliar a pressão de movimentos sociais brasileiros por sanções diplomáticas e comerciais contra o governo israelense.

Após a chegada a São Paulo, Thiago seguiu para Brasília, onde vive com a esposa e a filha. O retorno ao país ocorre poucos dias após a morte de sua mãe, aos 63 anos.

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