Operação da Polícia Federal mira esquema envolvendo empresas do setor de combustíveis suspeitas de ocultação patrimonial, evasão de divisas e uso de estruturas societárias para movimentações financeiras consideradas atípicas

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O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, foi alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal na manhã desta sexta-feira (15), em uma operação que investiga supostas fraudes fiscais e financeiras relacionadas ao grupo empresarial da refinaria Refit. A ação foi autorizada pela Justiça Federal e mobilizou agentes no Rio de Janeiro e em outros estados.
Segundo as investigações, a operação apura a atuação de um conglomerado econômico do setor de combustíveis suspeito de utilizar empresas interligadas para ocultação patrimonial, blindagem de ativos, dissimulação de bens e evasão de recursos para o exterior. A PF investiga ainda possíveis mecanismos de lavagem de dinheiro e estruturas societárias consideradas artificiais para dificultar o rastreamento de movimentações financeiras.
A investigação concentra atenção sobre operações fiscais envolvendo a Refit, grupo que já vinha sendo monitorado por órgãos de controle devido a suspeitas de inadimplência tributária bilionária e disputas envolvendo recolhimento de ICMS sobre combustíveis. Fontes ligadas à investigação afirmam que a Polícia Federal e a Receita Federal identificaram movimentações consideradas incompatíveis com a capacidade operacional declarada por empresas associadas ao conglomerado.
Os investigadores também analisam possíveis conexões políticas e empresariais envolvendo agentes públicos, operadores financeiros e empresários do setor energético. Nos bastidores, a apuração é vista como mais um capítulo da crescente ofensiva federal sobre esquemas tributários no mercado de combustíveis, historicamente marcado por fraudes estruturadas, triangulações financeiras e utilização de empresas de fachada.
De acordo com informações divulgadas pela TV Globo e pelo portal g1, os mandados atingiram endereços ligados ao governador Cláudio Castro. Até o momento, a Polícia Federal não informou se o governador é investigado formalmente ou se aparece apenas como pessoa relacionada aos alvos principais da operação.
A operação ocorre em um momento delicado para o governo fluminense, que enfrenta pressões políticas e questionamentos sobre contratos públicos e relações com empresários do setor privado. Interlocutores da investigação avaliam que o avanço da apuração pode atingir operadores financeiros e estruturas empresariais usadas para circulação internacional de recursos.
Especialistas ouvidos reservadamente por investigadores apontam que o setor de combustíveis se tornou, nos últimos anos, uma das principais frentes de atuação de organizações especializadas em fraudes fiscais sofisticadas, principalmente por meio de créditos tributários, empresas transitórias e compensações interestaduais.
A defesa de Cláudio Castro ainda não havia se pronunciado oficialmente até a última atualização desta reportagem. A Polícia Federal também não divulgou detalhes sobre valores movimentados, quantidade de mandados ou possíveis bloqueios judiciais determinados pela Justiça.




