Investigações sobre financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro avançam sobre uso de dinheiro público; STF abriu apuração preliminar após denúncias envolvendo entidades ligadas à produtora do filme

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O escândalo envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, ganhou um novo desdobramento após a revelação de que entidades ligadas à produção cinematográfica receberam ao menos R$ 7,7 milhões em emendas parlamentares destinadas por deputados e vereadores de São Paulo ligados ao bolsonarismo. O caso agora amplia a pressão sobre o entorno político do Banco Master e do banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo levantamento divulgado pelo portal Metrópoles, recursos públicos estaduais e municipais foram direcionados a organizações associadas à produtora Go Up Entertainment, responsável pela cinebiografia. As transferências ocorreram por meio de emendas parlamentares destinadas a projetos culturais, educacionais e esportivos.
Diante da repercussão do caso, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou abertura de apuração preliminar para investigar possíveis irregularidades na destinação das verbas públicas.
O foco das investigações está no chamado “ecossistema” de entidades ligado à empresária Karina Ferreira da Gama, sócia da Go Up Entertainment. Entre as organizações citadas estão o Instituto Conhecer Brasil, a Academia Nacional de Cultura e a Conhecer Brasil Assessoria.
A investigação busca identificar se houve desvio de finalidade no uso das emendas e possível utilização de estruturas culturais e sociais para financiar atividades relacionadas à produção do filme. Entre os parlamentares citados aparecem nomes influentes do bolsonarismo, como Bia Kicis, Carla Zambelli, Mario Frias, Marcos Pollon e o ex-deputado Alexandre Ramagem.
O caso mais delicado envolve Mario Frias, que além de deputado federal atua como produtor executivo e roteirista de “Dark Horse”. Segundo as investigações, Frias destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil para projetos de letramento digital e atividades esportivas. Oficiais de Justiça tentam intimar o parlamentar há semanas para prestar esclarecimentos no processo conduzido por Flávio Dino.
Na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, deputados estaduais ligados ao PL também aparecem entre os responsáveis pelos repasses. Gil Diniz destinou R$ 200 mil para a Academia Nacional de Cultura produzir a série “Heróis Nacionais”. Já Valéria Bolsonaro direcionou R$ 100 mil ao Instituto Conhecer Brasil para aquisição de equipamentos de informática.
Outro nome citado é Lucas Bove, que tentou repassar R$ 213 mil para projetos esportivos da entidade, mas teve a transferência interrompida após inconsistências técnicas e documentais.
Na Câmara Municipal de São Paulo, o ex-vereador Atílio Francisco aparece como um dos principais responsáveis por transferências ao grupo, com cerca de R$ 3,6 milhões destinados a eventos de dança e literatura gospel. O vereador André Santos direcionou R$ 750 mil para um congresso educacional, enquanto Cris Monteiro autorizou R$ 100 mil para oficinas tecnológicas juvenis.
As investigações sobre o uso de dinheiro público avançam paralelamente às apurações envolvendo recursos privados ligados ao Banco Master. Áudios e documentos revelados recentemente apontam que o senador Flávio Bolsonaro teria atuado diretamente nas negociações com Daniel Vorcaro para obtenção de recursos destinados à produção do filme.
Segundo informações investigadas por órgãos de inteligência financeira, o banqueiro teria prometido R$ 134 milhões para financiar “Dark Horse”, dos quais R$ 61 milhões já teriam sido efetivamente transferidos para contas ligadas à produção no exterior.
Nos bastidores de Brasília, investigadores avaliam que o avanço simultâneo das apurações sobre recursos públicos e privados pode ampliar significativamente o alcance político do escândalo, atingindo setores do bolsonarismo paulista e operadores financeiros ligados ao entorno do Banco Master.
Em nota, a assessoria de Mario Frias negou irregularidades na destinação das emendas. Lucas Bove afirmou que sua transferência foi cancelada após problemas documentais. Já Cris Monteiro declarou desconhecer qualquer relação entre o Instituto Conhecer Brasil e a produtora do filme. Outros parlamentares citados não se manifestaram até o momento.




