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segunda-feira, maio 18, 2026
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PF aponta organização criminosa com hackers, policiais e milicianos ligada a Daniel Vorcaro

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Investigação descreve estrutura usada para espionagem, intimidação de jornalistas e ex-funcionários; grupo atuava como ‘Os meninos” e a ‘Turma’

Segundo a investigação, o esquema era dividido em dois braços: “Os Meninos”, núcleo de hackers especializado em ataques digitais e inteligência artificial, e “A Turma”, grupo operacional formado por policiais, milicianos, bicheiros e capangas responsáveis por ameaças, coerções e ações presenciais. Foto Reprodução

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A Polícia Federal identificou uma estrutura criminosa altamente sofisticada supostamente comandada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, com atuação em crimes cibernéticos, monitoramento ilegal e operações de intimidação física contra adversários, jornalistas e ex-funcionários. As conclusões aparecem nos relatórios que embasaram mandados de prisão preventiva autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

Segundo a investigação, o esquema era dividido em dois braços: “Os Meninos”, núcleo de hackers especializado em ataques digitais e inteligência artificial, e “A Turma”, grupo operacional formado por policiais, milicianos, bicheiros e capangas responsáveis por ameaças, coerções e ações presenciais.

A PF afirma que o grupo operava com métodos que incluíam falsificação de documentos públicos, invasões digitais, uso indevido de sistemas governamentais e manipulação de plataformas online. O avanço das investigações também aponta para uma possível internacionalização da estrutura, após a prisão do hacker Victor Lima Sedlmaier em Dubai, em ação conjunta da Interpol e autoridades brasileiras e dos Emirados Árabes Unidos.

Sedlmaier desembarcou preso no Aeroporto de Guarulhos e admitiu, em depoimento, que desenvolvia softwares para o grupo desde 2024. Segundo os investigadores, ele recebia salário fixo de R$ 2 mil, além de bônus. A PF suspeita ainda que duas drogarias nas quais ele possuía participação societária eram usadas para movimentação financeira ligada ao esquema.

O comando do núcleo tecnológico seria exercido por David Henrique Alves, de 23 anos, apontado como chefe dos hackers e responsável pela coordenação dos ataques digitais. De acordo com a investigação, Alves recebia cerca de R$ 35 mil mensais. Ele foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal em Minas Gerais no mesmo dia da prisão de Vorcaro, transportando computadores e notebooks em um veículo pertencente a Felipe Mourão, conhecido como “Sicário”. Mourão morreu após ser preso. Alves, que não possuía mandado de prisão naquele momento, está atualmente foragido.

A investigação identificou ainda um esquema de falsificação envolvendo o Ministério Público do Ceará. Segundo a PF, hackers ligados ao grupo produziram um falso ofício usando o e-mail institucional e a assinatura de uma servidora do órgão para solicitar a remoção de um perfil em rede social que incomodava o banqueiro. A plataforma digital acatou o pedido em menos de 24 horas sem detectar a fraude. A Polícia Federal ainda apura se a servidora teve participação consciente ou se também foi vítima da operação.

O braço físico da organização, conforme os investigadores, era financiado por Henrique Vorcaro, pai do banqueiro. A PF sustenta que ele administrava pagamentos destinados às operações de intimidação conduzidas por “A Turma”.

Entre os episódios mais graves descritos no inquérito está a perseguição ao jornalista Lauro Jardim, colunista do Grupo Globo. Conversas apreendidas mostram Daniel Vorcaro pedindo que integrantes do grupo “hackeassem” o jornalista. Em seguida, operadores discutem estratégias para capturar o celular do profissional e aplicar golpes via WhatsApp usando identidade falsa de repórter. Segundo a PF, o plano previa um falso assalto para agredir fisicamente Lauro Jardim.

As investigações também apontam intimidações contra antigos funcionários da família Vorcaro. O ex-capitão do iate do banqueiro, Luis Felipe Woyceichoski, relatou ter sido procurado em Angra dos Reis por homens armados usando roupas táticas. Posteriormente, recebeu ameaças atribuídas ao bicheiro Manoel Mendes Rodrigues. Já Leandro Garcia, ex-chef da residência de Vorcaro, afirmou ter sido coagido em um hotel por um grupo ligado ao mesmo núcleo operacional.

Outro integrante citado pela PF é Marilson Roseno da Silva, considerado um dos operadores mais violentos do grupo. Ele foi transferido para o Presídio Federal de Brasília devido ao grau de periculosidade apontado pelos investigadores.

Nos bastidores de Brasília, investigadores avaliam que o caso pode revelar uma estrutura privada de inteligência paralela operando com apoio de agentes públicos e integrantes do crime organizado. A PF apura possíveis conexões políticas, empresariais e financeiras envolvendo o entorno do banqueiro.

A defesa de Victor Lima Sedlmaier informou que aguarda acesso integral aos autos para esclarecer os fatos e pediu sua transferência para Minas Gerais. Henrique Vorcaro negou participação em atividades ilícitas e afirmou que os pagamentos citados referem-se a serviços legítimos de vigilância patrimonial e negociação imobiliária. Já a defesa de Daniel Vorcaro informou que não comentará o caso neste momento.

OS BENS DE VORCARO

Segundo documentos da Receita Federal enviados à CPMI do INSS e reportagens publicadas pela imprensa nacional, o patrimônio declarado de Daniel Vorcaro chegou a cerca de R$ 2,6 bilhões em 2024. Parte dos bens e ativos atribuídos ao empresário inclui:

  • Participação e controle do Banco Master;
  • Imóveis de alto padrão, incluindo mansões e apartamentos de luxo;
  • Participação em operações de compartilhamento de jatos executivos, helicópteros, iates e até uma ilha privada;
  • Iate de luxo utilizado em Angra dos Reis;
  • Jatinhos e aeronaves executivas ligados a empresas associadas ao grupo;
  • Obras de arte, joias e relógios avaliados em cerca de R$ 47 milhões;
  • Veículos de luxo, incluindo modelos Range Rover;
  • Recursos em aplicações financeiras, títulos de capitalização e dinheiro em espécie;
  • Participações societárias em empresas financeiras, imobiliárias e patrimoniais;
  • Empresas ligadas ao banco que, segundo investigações, adquiriram cerca de R$ 2 bilhões em imóveis, aeronaves e outros ativos durante a crise do Banco Master.

Os documentos da Receita apontam que o patrimônio declarado saltou de aproximadamente R$ 2,8 milhões em 2015 para cerca de R$ 2,6 bilhões em 2024.

Parte dos bens já foi alvo de medidas judiciais em operações da Polícia Federal, mas reportagens afirmam que diversos ativos de luxo ainda estariam fora do alcance de bloqueios determinados pela Justiça.

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