Investigadores consideraram proposta “insuficiente” por omitir nomes poderosos; impasse sobre devolução de R$ 60 bilhões e vazamentos levaram ministro André Mendonça a romper o diálogo

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BRASÍLIA – A Polícia Federal comunicou formalmente aos advogados do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a rejeição de sua proposta de acordo de delação premiada. A decisão definitiva foi informada à defesa em uma reunião realizada no fim da tarde desta quarta-feira (20), conforme revelado pela revista Veja.
A proposta de colaboração havia sido entregue no início de maio tanto à PF quanto à Procuradoria-Geral da República (PGR). O material, entregue gravado em um pen drive, passou por uma análise minuciosa dos investigadores para verificar a existência de fatos novos e de elementos probatórios robustos que pudessem sustentar e fazer avançar as investigações do “caso Master”.
Omissão de nomes e blindagem política
A avaliação dos investigadores e procuradores, no entanto, foi amplamente negativa. Segundo fontes ligadas à apuração, os anexos apresentados por Vorcaro omitiram informações cruciais e, na leitura da PF, o banqueiro tentou blindar e proteger figuras poderosas da República. Por essa razão, o material foi considerado de pouca utilidade prática para o avanço dos inquéritos.
Além da falta de ineditismo e profundidade nas denúncias, o aspecto financeiro foi um forte entrave nas negociações. Os investigadores cobravam que o empresário restituísse cerca de R$ 60 bilhões aos cofres públicos em um prazo curto. Em contrapartida, a defesa de Vorcaro propôs devolver aproximadamente R$ 40 bilhões, mas diluídos em um prazo de dez anos — formato classificado pelas autoridades envolvidas como totalmente insuficiente e inaceitável.
Desgaste e rompimento com o STF
O processo de negociação sofreu um severo desgaste nos últimos dias após o vazamento de detalhes sigilosos da proposta na imprensa. O episódio de quebra de confidencialidade foi relatado diretamente ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Diante dos fatos, o ministro rompeu definitivamente o canal de diálogo com os advogados do empresário.
Anteriormente, Mendonça já havia se manifestado publicamente por meio de nota oficial, ressaltando que uma colaboração premiada precisa ser “séria e efetiva” para produzir efeitos jurídicos e que as investigações sobre o caso Master seguiriam o curso normal, independentemente da assinatura de eventuais delações.
Retorno ao presídio comum e perda de regalias
Com o encerramento definitivo das tratativas de acordo, o futuro de Daniel Vorcaro volta à mesa do relator no STF. O banqueiro vinha sendo mantido detido na Superintendência da Polícia Federal justamente sob a justificativa de estar em processo de negociação de colaboração com o Estado.
Agora, a expectativa é de que o empresário perca suas regalias e seja transferido de volta a uma cela comum no sistema prisional convencional, além de ter o corte imediato de benefícios processuais que vinham sendo cogitados por sua defesa.




