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PF investiga negócio de R$ 14,2 milhões de Ricardo Magro e empresa de Ciro Nogueira

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Transação imobiliária de terreno no Piauí aparece em documentos da Operação Sem Refino; investigadores apuram se contrato serviu para ocultar vantagem indevida ligada a emendas parlamentares favoráveis à Refit

Posteriormente, as transferências passaram a ser feitas em parcelas mensais de R$ 300 mil, com o último registro de pagamento datado de dezembro de 2025. Foto Lula Marques/Agencia Brasil

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BRASÍLIA – A Polícia Federal está investigando uma negociação imobiliária no valor de R$ 14,2 milhões realizada entre uma empresa vinculada ao empresário Ricardo Magro e a Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis Ltda., empresa pertencente à família do senador Ciro Nogueira (PP-PI). O parlamentar confirmou a existência do contrato e informou que R$ 10,8 milhões já foram quitados pela compradora. As informações foram reveladas pela revista Piauí.

O negócio foi descoberto em documentos apreendidos e analisados pela PF no âmbito da Operação Sem Refino, deflagrada contra o grupo petrolífero Refit. Ricardo Magro é apontado pelas autoridades como o líder de um sofisticado esquema suspeito de fraudes fiscais, lavagem de dinheiro e cooptação de agentes públicos. O empresário teve sua prisão decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e atualmente é considerado foragido internacional, figurando na lista da Difusão Vermelha da Interpol.

O contrato e a compra do terreno

De acordo com os relatórios da investigação, a empresa Athena Real Estate, ligada ao fundo EUV Gladiator — estrutura atribuída a Magro —, reservou a cifra milionária para adquirir uma área de 40 hectares localizada no sul de Teresina (PI), às margens da BR-316. Segundo o senador Ciro Nogueira, o terreno seria destinado à instalação de uma distribuidora de combustíveis.

O contrato foi formalizado em agosto de 2024. Pela empresa da família do senador, o documento foi assinado por seu irmão e presidente da companhia, Raimundo Nogueira Lima. Pela Athena, assinou Pedro Zuaid Dias Soares, apontado pela PF como um dos principais operadores da estrutura financeira do grupo investigado.

O fluxo de pagamentos teve início em novembro de 2024. Nos três primeiros meses, foram efetuados depósitos de R$ 2,5 milhões. Posteriormente, as transferências passaram a ser feitas em parcelas mensais de R$ 300 mil, com o último registro de pagamento datado de dezembro de 2025. Restam ainda R$ 3,4 milhões para a quitação total do montante.

Suspeita de ‘Emendas-Refit’ no Congresso

A Polícia Federal tenta esclarecer se a operação imobiliária seguiu os trâmites regulares de mercado ou se foi utilizada como fachada para ocultar o pagamento de vantagens indevidas. O foco dos investigadores está na possível correlação temporal entre o negócio privado e a atuação política de Ciro Nogueira no Congresso Nacional.

Meses antes da assinatura do contrato de compra e venda, o senador apresentou emendas ao projeto de lei do devedor contumaz. As propostas apresentadas pelo parlamentar poderiam dificultar o enquadramento de empresas do setor de combustíveis nessa categoria de punição fiscal — texto que, nos bastidores de Brasília, ficou conhecido como “emendas-Refit”. As propostas, no entanto, acabaram não sendo aprovadas.

Defesa alega regularidade e nega controle acionário

Procurado, o senador Ciro Nogueira negou veementemente qualquer irregularidade na transação. Por meio de nota oficial, o parlamentar afirmou que a negociação foi “regular e totalmente declarada” às autoridades competentes. Ele alegou não ter participado diretamente das tratativas comerciais e informou que sua participação societária na empresa da família era inferior a 1% na época da assinatura do contrato, destacando que atualmente não integra mais o quadro societário da firma.

Contudo, documentos obtidos pela reportagem da revista Piauí revelam que o senador mantinha o usufruto sobre quotas da empresa e possuía previsão contratual para receber valores futuros na distribuição de lucros. Questionado sobre os documentos, Ciro Nogueira afirmou desconhecer os números exatos e declarou que iria verificar as informações com seus assessores.

Rombo bilionário e foro no STF

A investigação conecta a Athena Real Estate à Eurovest S.A. e a uma rede de outras empresas suspeitas de movimentar bilhões de reais em transações classificadas como atípicas pelo Ministério Público e pela PF. As autoridades acreditam que essa rede servia para escoar recursos da Refit, adquirir patrimônio imobiliário de alto padrão e reinserir o capital de origem ilícita no sistema financeiro nacional com aparência de legalidade.

Por envolver parlamentar com prerrogativa de foro privilegiado, a Operação Sem Refino tramita sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal. Os inquéritos apuram crimes de gestão fraudulenta, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e crimes contra a ordem econômica. A dívida acumulada do grupo Refit com os cofres públicos é estimada em cerca de R$ 52 bilhões.

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