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segunda-feira, junho 15, 2026
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Influenciadora Deolane Bezerra é presa em SP por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC

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Investigação da Polícia Civil e do MPSP aponta que influenciadora e familiares de Marcola utilizavam transportadora de fachada no interior paulista para ocultar mais de R$ 350 milhões da facção

Além das contas físicas, a investigação identificou quase 50 depósitos — somando R$ 716 mil — direcionados a duas empresas de Deolane. Foto Divulgação

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SÃO PAULO – A advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra foi presa preventivamente nesta quinta-feira (21) em uma megaoperação conjunta do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Civil. Batizada de Operação Vérnix, a ação mira uma sofisticada estrutura financeira montada pela cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC) para dissimular e lavar recursos de origem ilícita.

A operação cumpre mandados de prisão preventiva, busca e apreensão e bloqueio de bens em diversas cidades. O principal eixo do esquema, segundo os investigadores, é uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 357,5 milhões em contas bancárias dos investigados, além do sequestro de 39 veículos de luxo, avaliados em mais de R$ 8 milhões.

Prisões e alvos no Brasil e no exterior

Além de Deolane Bezerra — que teve mandado de busca cumprido em sua mansão em Barueri, na Grande São Paulo —, a operação prendeu Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como o operador financeiro encarregado de ditar o destino dos recursos da facção.

A ação também alcança o núcleo familiar de Marco Herbas Camacho, o Marcola, líder máximo do PCC. Foram expedidos novos mandados de prisão contra o próprio Marcola e seu irmão, Alejandro Camacho, que já se encontram detidos na Penitenciária Federal de Brasília.

A ramificação do grupo estendia-se para fora do país: Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola e apontada como intermediária dos negócios da família, foi presa em Madri, na Espanha. Outro sobrinho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, considerado o destinatário final dos valores lavados, está foragido e estaria escondido na Bolívia.

Deolane Bezerra passou as últimas semanas em Roma, na Itália. Seu nome chegou a ser incluído na Difusão Vermelha da Interpol, mas a influenciadora retornou ao Brasil na quarta-feira (20), sendo detida poucas horas depois. Giliard Vidal dos Santos, filho de criação de Deolane, e um contador da família também foram alvos de busca e apreensão.

Até o fechamento desta reportagem, as defesas dos citados não haviam sido localizadas.

O esquema: Depósitos fracionados e ‘banco fantasma’

O cruzamento de dados bancários e relatórios de inteligência financeira detalhou como a influenciadora teria sido utilizada para integrar o dinheiro da facção à economia formal. De acordo com a polícia, Deolane recebeu R$ 1.067.505,00 em sua conta pessoal entre 2018 e 2021 por meio de depósitos em espécie fracionados abaixo de R$ 10 mil. A prática, conhecida no jargão financeiro como smurfing, é usada deliberadamente para burlar os alertas automáticos de órgãos de controle, como o Coaf.

Além das contas físicas, a investigação identificou quase 50 depósitos — somando R$ 716 mil — direcionados a duas empresas de Deolane. Os repasses foram feitos por uma firma que se apresentava como um “banco de crédito”. Ao puxar o fio da meada, os investigadores descobriram que o responsável legal por esse suposto banco é um morador da Bahia que recebe um salário mínimo por mês, caracterizando o uso de “laranjas”.

A quebra de sigilo não encontrou nenhuma prestação de serviços advocatícios, comerciais ou publicitários que justificassem a entrada desses valores. Diante dos fortes indícios de ocultação patrimonial, a Justiça determinou o congelamento de R$ 27 milhões em bens de Deolane.

Da cela para as empresas: Como a polícia descobriu o esquema

A Operação Vérnix é o desfecho de uma investigação que avançou em três camadas consecutivas desde 2019:

  • O estopim (2019): Agentes de segurança da Penitenciária II de Presidente Venceslau interceptaram bilhetes e manuscritos com dois detentos. Os papéis continham ordens diretas da liderança do PCC e planos de ataques violentos contra servidores públicos.
  • A “Mulher da Transportadora”: O que chamou a atenção da Polícia Penal foi a menção a uma “mulher da transportadora”, que estaria levantando os endereços residenciais de agentes públicos para subsidiar os atentados.
  • Operação Lado a Lado (2021): O segundo inquérito identificou a empresa: a Lado a Lado Transportes (também registrada como Lopes Lemos Transportes). A quebra de sigilo revelou um crescimento patrimonial explosivo e incompatível com o faturamento real.
  • O celular do operador: Na operação de 2021, a polícia apreendeu o celular de Ciro Cesar Lemos, homem de confiança de Marcola e administrador da transportadora. No aparelho, os peritos encontraram imagens de comprovantes de depósitos bancários que favoreciam diretamente as contas de Deolane Bezerra e de Everton de Souza. Ciro e sua esposa fugiram e são considerados foragidos.

Justiça nega medidas alternativas por risco de fuga

Ao decretar as prisões preventivas, o Tribunal de Justiça de São Paulo destacou que a sofisticação e a capilaridade da organização criminosa tornam qualquer medida cautelar alternativa — como o uso de tornozeleira eletrônica — totalmente ineficaz.

A decisão judicial enfatizou o risco iminente de fuga dos investigados, a possibilidade de destruição de provas e a necessidade urgente de interromper o fluxo financeiro que alimenta as atividades ilícitas da facção dentro e fora dos presídios.

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