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quinta-feira, maio 21, 2026
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MPTCU pede ao TCU que investigue infiltração do PCC em prefeituras de São Paulo

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Documento baseado em operação da Polícia Civil aponta plano estruturado da facção criminosa para disputar espaço dentro do sistema público e fraudar licitações

O ex-governador João Doria, que geria o estado no período citado pelos relatórios (2021), negou veementemente qualquer proximidade com os investigados Foto Arquivo Agencia Brasil

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O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) pediu formalmente à Corte a apuração de uma suposta infiltração da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) em órgãos públicos e prefeituras do estado de São Paulo. A representação, assinada pelo procurador Lucas Rocha Furtado, aponta para uma mudança drástica na estratégia do grupo, que teria deixado de atuar apenas nas sombras para tentar operar diretamente de dentro da estrutura estatal.

O pedido do Ministério Público baseia-se nas revelações da Operação Contaminatio, deflagrada pela Polícia Civil. A ação policial resultou na prisão de seis pessoas e no bloqueio expressivo de R$ 513,6 milhões em bens. O caso agora está sob a análise do ministro do TCU, Benjamin Zymler, que avaliará as suspeitas de desvio e mau uso de verbas públicas.

De Financiamento de Campanhas a Contratos Públicos

De acordo com o inquérito, as investigações apontam que membros da organização criminosa realizaram reuniões e articulações com prefeituras do interior paulista, com relatos de encontros que teriam ocorrido majoritariamente ao longo do ano de 2021. Além disso, relatórios internos da própria facção apreendidos pela polícia mencionavam tentativas de agendamento de audiências com autoridades do governo estadual da época.

“O que emerge é um modelo organizado, com planejamento, articulação política e execução em múltiplas cidades, no qual o crime organizado deixa de atuar apenas nas sombras e passa a disputar espaço dentro do sistema”, destaca o texto da representação enviada ao TCU.

O caso atual é um desdobramento direto de outra ação importante: a Operação Decurio. Aquela investigação já havia identificado que o grupo utilizava uma fintech (empresa de tecnologia financeira) criada especificamente para lavar o dinheiro oriundo do tráfico de drogas e injetá-lo de forma ilegal em campanhas políticas de candidatos a cargos municipais. Com a Operação Contaminatio, o foco avançou para a fraude em licitações, onde empresas ligadas à facção concorriam e venciam contratos públicos de prestação de serviços. Até o momento, o Tribunal de Contas da União não proferiu uma decisão e os documentos oficiais seguem sob sigilo.

Defesas e Posicionamentos

Procuradas para se manifestar sobre as menções a períodos anteriores nos relatórios da investigação, as administrações pública e política emitiram notas oficiais.

O atual Governo do Estado de São Paulo destacou que “a representação do MP junto ao TCU se refere a episódios anteriores à atual gestão” e reforçou que mantém ações contínuas de combate ao crime organizado.

O ex-governador João Doria, que geria o estado no período citado pelos relatórios (2021), negou veementemente qualquer proximidade com os investigados. Doria afirmou que “nunca houve reunião nem tentativa de agendamento” por parte de integrantes da facção com sua equipe e reiterou desconhecer completamente qualquer tipo de contato entre membros do governo da época e a organização criminosa.

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