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quinta-feira, maio 21, 2026
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Gestão prefeito Ricardo Nunes bancou R$ 3,5 milhões para feira gospel de produtora de ‘Dark Horse’

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Recursos da Secretaria de Turismo foram repassados via SPTuris para cobrir custos de infraestrutura e pessoal do evento privado Connect Faith 2025

De acordo com as investigações, os dados detalhados dos gastos estavam ocultados em arquivos digitais compactados (pastas zipadas) dentro do portal interno de processos da administração municipal, o que impedia a localização dos valores por meio de buscas simples utilizando palavras-chave tradicionais. Foto Marcelo Camargo/Agencia Brasil

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SÃO PAULO — A Prefeitura de São Paulo destinou R$ 3,5 milhões em recursos públicos para cobrir integralmente as despesas de infraestrutura e pessoal da Connect Faith 2025, uma feira gospel voltada à inovação e tecnologia. O evento, realizado entre os dias 12 e 15 de junho do ano passado no Expo Center Norte, foi organizado pela empresária Karina Gama. Ela é a presidente da Academia Nacional de Cultura (ANC) e atua como produtora executiva de Dark Horse, a cinebiografia ficcionalizada sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Os valores foram liberados pela Secretaria Municipal de Turismo, na época sob o comando do pastor e deputado estadual Rui Alves (Republicanos). A execução financeira ficou a cargo da São Paulo Turismo (SPTuris), empresa pública municipal que era gerida por Gustavo Pires — executivo que acabou exonerado do cargo posteriormente, após uma série de denúncias de irregularidades envolvendo contratos da estatal.

‘Drible’ na Transparência do Diário Oficial

A destinação dos R$ 3,5 milhões não foi publicada de forma clara ou direta no Diário Oficial da Cidade. De acordo com as investigações, os dados detalhados dos gastos estavam ocultados em arquivos digitais compactados (pastas zipadas) dentro do portal interno de processos da administração municipal, o que impedia a localização dos valores por meio de buscas simples utilizando palavras-chave tradicionais.

A planilha de custos finais revela que a prefeitura assumiu despesas que caberiam aos organizadores privados. O erário público financiou serviços de segurança, equipes de limpeza, contratação de produtores, montagem de palcos, sistemas de sonorização, painéis de LED, fornecimento de camisetas, alimentação (café, lanches e água mineral) e até mesmo a locação de ônibus e vans para transporte.

Entre as prestadoras de serviço pagas com o dinheiro público municipal está a empresa MM Quarter, que recebeu R$ 183,5 mil para fornecer recepcionistas, carregadores e produtores. A auditoria apontou que a empresa recebeu por seis diárias de trabalho, embora a feira tenha durado apenas quatro dias. Mesmo totalmente financiada pela prefeitura, a Connect Faith operou com fins lucrativos: cobrou ingressos do público para os shows e palestras e comercializou cotas de patrocínio e estandes para expositores privados.

O Modelo de ‘Apoio’ Sem Fiscalização

A manobra contábil utilizada para liberar a verba foi o mecanismo de “apoio institucional”. Diferente do modelo de “patrocínio” — que exige edital, solicitação formal, análise rigorosa de documentos, contrapartidas claras para a cidade e uma rigorosa prestação de contas posterior —, o “apoio” funciona de forma discricionária. Secretarias municipais transferem diretamente os saldos para a SPTuris, que contrata os fornecedores do evento escolhido sem registrar publicamente quem solicitou o dinheiro ou qual autoridade deu o aval final para o gasto.

A identidade dos beneficiários reais só começou a aparecer após a abertura de inquéritos e cobranças fiscalizatórias por parte do Tribunal de Contas do Município (TCM) e do Ministério Público de São Paulo (MPSP). Foi quando a Secretaria de Turismo formalizou que os repasses atenderam a um pedido da Academia Nacional de Cultura, de Karina Gama.

Karina também comanda o Instituto Conhecer Brasil, uma Organização Não Governamental (ONG) que firmou um contrato milionário de R$ 108 milhões com a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) para a instalação de pontos de sinal de internet sem fio (wi-fi) na capital, contrato este que também passou a ser investigado pela Polícia Civil por suspeitas de irregularidades.

Posicionamento Oficial da Prefeitura

Procurada para esclarecer as contratações e os critérios de escolha do evento, a Secretaria Municipal de Turismo de São Paulo defendeu a legalidade da medida em nota oficial enviada ao portal Metrópoles.

A pasta informou “que as contratações mencionadas respeitaram todos os trâmites previstos na legislação” e que o aporte financeiro foi concedido sob o amparo do Decreto Municipal nº 61.244/2022. O órgão justificou o investimento afirmando que a verba foi destinada estritamente para a infraestrutura de um evento que reuniu um público estimado em 60 mil pessoas ao longo de sua realização.

Por fim, a gestão Ricardo Nunes declarou que “repudia qualquer tentativa da imprensa de criar relações entre iniciativas do Município e a produção cinematográfica do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro”, reiterando de forma enfática que a cinebiografia Dark Horse não recebeu nenhum tipo de recurso financeiro dos cofres da capital paulista.

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