SP viu contingente praticamente dobrar entre 2020 e 2025; em seguida, RJ do ex-governador Claudio Castro e por último MG do ex-governador Romeu Zema

🎙️ [Clique aqui para ouvir o áudio do nosso correspondente detalhando os dados do CadÚnico e os impactos da crise social nos municípios paulistas]
O Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) do governo federal registrou, no mês de maio, um total de 388.855 pessoas em situação de rua no Brasil. O mapeamento, analisado pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua da Universidade Federal de Minas Gerais (OBPopRua/Polos-UFMG), aponta que o estado de São Paulo continua liderando isolado o ranking nacional, abrigando uma fatia desproporcional desse contingente.
Atualmente, São Paulo contabiliza 159.290 pessoas nessa condição jurídica e social — um número que supera, com folga, a soma do segundo e do terceiro colocados: Rio de Janeiro (35.406) e Minas Gerais (34.849).
Explosão da crise humanitária no Sudeste
Os três principais estados da região Sudeste apresentaram uma curva de crescimento acentuada no período de 2020 a 2025. O cenário paulista, no entanto, é o que mais preocupa os pesquisadores, já que a população de rua praticamente duplicou no território em cinco anos.
- São Paulo: Saltou de 83.074 para 150.958 pessoas.
- Rio de Janeiro: Passou de 23.433 para 33.656 pessoas.
- Minas Gerais: Subiu de 14.304 para 33.139 pessoas.
De acordo com a equipe da UFMG, a duplicação do contingente paulista é considerada uma alta completamente desproporcional, fazendo com que o estado concentre sozinho cerca de 40% de toda a população de rua registrada no país em 2025.
A pesquisa aponta que seis em cada dez pessoas nessas circunstâncias precárias de vida estão no Sudeste. O fenômeno é reflexo direto da migração interna: indivíduos que chegam à região mais rica do país em busca de oportunidades de trabalho, mas acabam não encontrando o suporte social e habitacional necessário, sendo empurrados para a vulnerabilidade extrema. O recorte social também escancara o racismo estrutural: sete em cada dez pessoas em situação de rua no Brasil são negras.
Capitais centralizam o problema; Roraima acende alerta no Norte
O estudo do OBPopRua também revela que a crise se concentra severamente nas grandes capitais brasileiras. No Rio de Janeiro, a capital atrai 69,6% de toda a população de rua do estado. Em São Paulo, o índice de centralização na capital é de 67,2%, enquanto em Minas Gerais a capital responde por 46,6% do total estadual. No Nordeste, o Ceará vive panorama semelhante, onde a capital Fortaleza concentra 11.349 das 14.171 pessoas identificadas no estado.
Fora do eixo tradicional, o estado de Roraima, na Região Norte, registrou o principal destaque negativo ao destoar do padrão de estabilidade dos estados menores. Os registros roraimenses saltaram de 2.537 para 10.520 pessoas. O pico foi severamente puxado pela capital, Boa Vista, onde o contingente multiplicou-se entre 2022 e 2025, variando de 2.484 para 10.497 cidadãos desalentados.
No restante do mapa da vulnerabilidade, estados como Santa Catarina, Pernambuco, Goiás, Espírito Santo, Pará, Mato Grosso, Amazonas e o Distrito Federal figuram na classificação de gravidade intermediária. Já a faixa com os indicadores menos preocupantes do país é composta por Amapá, Acre, Tocantins, Rondônia e Piauí.




