Documentos societários apontam vínculos entre a Contábil Corrêa, a Ambipar, empresas associadas ao Banco Master e personagens investigados pela Polícia Federal; senador afirma que serviços prestados foram legais
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Novas informações sobre a Operação Compliance Zero revelam conexões societárias entre empresas ligadas ao Banco Master, a multinacional Ambipar e a Contábil Corrêa, empresa que pagou R$ 500 mil ao escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A documentação aponta que o contador Rogério Lourenço Novo, sócio da Contábil Corrêa, integra uma rede empresarial que mantém relações com empresas e pessoas investigadas pela Polícia Federal.
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Rogério Lourenço Novo ocupa, desde abril deste ano, uma cadeira no conselho fiscal da Ambipar, empresa controlada pela família Borlenghi. A companhia está em recuperação judicial e é alvo de investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master.
Os registros da Junta Comercial de São Paulo mostram que Rogério Novo mantém relação empresarial com integrantes da família Borlenghi desde 2009. Naquele ano, ele constituiu uma transportadora em sociedade com Tércio Patini Borlenghi, filho do presidente da Ambipar, Tércio Borlenghi Júnior. A sociedade foi encerrada em 2016.
Antes de assumir o conselho da Ambipar, Rogério Novo substituiu dois executivos da gestora Trustee DTVM na administração da Copenhagen e Assessoria e Consultoria, empresa que recebeu R$ 57,9 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025, conforme documentos societários e informações divulgadas pela imprensa.
NOTAS FISCAIS
Segundo documentos revelados pelo portal Metrópoles, o escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro emitiu três notas fiscais relacionadas às empresas envolvidas.
Duas notas, que somavam R$ 1 milhão e foram emitidas para a Copenhagen e Assessoria e Consultoria, foram canceladas no mesmo dia. Posteriormente, o escritório emitiu uma terceira nota fiscal, no valor de R$ 500 mil, destinada à Contábil Corrêa, com a descrição de prestação de serviços de assessoria jurídica.
Em manifestação pública, Flávio Bolsonaro afirmou que os serviços foram legais e que optou por não manter contrato com a Copenhagen.
“Fiz um trabalho para uma empresa. Fui contratado para isso e prestei serviços advocatícios. Relação completamente legal e privada. Em outra oportunidade, eu não aceitei trabalhar para essa empresa chamada Copenhagen, que supostamente foi usada por Daniel Vorcaro para fazer pagamentos a algumas pessoas. Não foi o meu caso. Estou tendo que explicar porque eu não recebi o dinheiro dessa empresa. Cancelei duas notas fiscais.
OPERAÇÃO COMPLIANCE ZERO
A investigação da Polícia Federal apura operações financeiras envolvendo empresas ligadas ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro.
A Copenhagen e Assessoria e Consultoria foi constituída em novembro de 2024 com capital social de R$ 40. Pouco depois, teve alteração em sua administração e passou a receber aportes milionários do Banco Master.
Posteriormente, a empresa passou a ter como administradores executivos ligados à Trustee DTVM, gestora que também foi alvo da Operação Compliance Zero.
Segundo apuração publicada pela imprensa, o fundo Estônia Multiestratégia, acionista da Copenhagen, é administrado pela Trustee DTVM e teria como beneficiário econômico o presidente da Ambipar, Tércio Borlenghi Júnior.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em procedimento anterior à Operação Compliance Zero, mencionou a existência de uma relação comercial entre empresas ligadas a Daniel Vorcaro, à Trustee DTVM, ao empresário Nelson Tanure e a Tércio Borlenghi Júnior.
MANIFESTAÇÕES
Procurados pelas reportagens que divulgaram o caso, a assessoria de Flávio Bolsonaro, a Ambipar, o Banco Master e Rogério Lourenço Novo não apresentaram posicionamento sobre os novos elementos até a publicação das informações.
A Trustee DTVM informou, em nota, que atua apenas como administradora do fundo Estônia Multiestratégia e afirmou não possuir ingerência sobre as relações comerciais da Copenhagen nem sobre eventuais negociações financeiras realizadas pela empresa. Também declarou que a atuação de seus representantes observou a legislação e os procedimentos de governança e compliance.
Até o momento, não há decisão judicial que atribua responsabilidade criminal a Flávio Bolsonaro, Rogério Lourenço Novo, Ambipar ou Banco Master em relação aos fatos descritos, e as investigações conduzidas pela Polícia Federal seguem em andamento.




