Polícia Civil prende suspeito de matar advogado em Mogi Mirim

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Lucas Silva Lopes, de 30 anos, foi encontrado morto em estrada de terra; investigação apura possível crime de ódio e ainda não divulgou motivação do assassinato

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A Polícia Civil prendeu nesta segunda-feira (17) um suspeito de envolvimento na morte do advogado Lucas Silva Lopes, de 30 anos, em Mogi Mirim (SP). A prisão ocorreu duas semanas depois de o corpo do advogado ser encontrado em uma estrada de terra na zona rural do município. A identidade do preso e a possível motivação do crime ainda não foram divulgadas oficialmente pelas autoridades.

Lucas foi encontrado morto em 2 de agosto, no Distrito Industrial Luiz Torrani. Segundo informações registradas na ocorrência, o corpo estava nu, em posição fetal, com ferimentos no rosto e um tecido amarrado ao pescoço e ao corpo. O carro utilizado pelo advogado foi localizado nas proximidades completamente queimado.

Desde o início das investigações, a Polícia Civil trabalha com diferentes hipóteses para esclarecer a motivação do homicídio. Entre as linhas consideradas está a possibilidade de crime de ódio. Até o momento, porém, não há confirmação oficial de que o assassinato tenha sido motivado pela condição de pessoa com deficiência ou pela atuação profissional da vítima.

Investigação busca reconstruir últimos passos

Após a localização do corpo, familiares e investigadores passaram a buscar imagens de câmeras de segurança que pudessem ajudar a reconstruir o trajeto feito por Lucas antes de desaparecer.

O delegado Fábio Chrysostomo afirmou, no início da apuração, que familiares e pessoas próximas não relataram histórico de conflitos ou desavenças envolvendo o advogado.

A prisão realizada nesta segunda-feira representa um avanço na investigação, mas não significa que a autoria e a motivação estejam definitivamente esclarecidas. O suspeito deverá ser ouvido e os investigadores deverão confrontar os elementos reunidos durante o inquérito com a versão apresentada por ele.

A Polícia Civil ainda não informou se o preso conhecia Lucas, qual seria a relação entre os dois ou quais provas fundamentaram a prisão.

Advogado era ativista pelos direitos das pessoas com deficiência

Lucas tinha paralisia cerebral e construiu sua trajetória profissional e acadêmica ligada à defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Ele era mestre em Direitos Humanos pela Universidade de São Paulo (USP) e cursava doutorado na mesma instituição. Segundo familiares, tinha o objetivo de se tornar promotor de Justiça. A trajetória do advogado também foi destacada pela imprensa após sua morte.

Inscrito na subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Campinas desde 2020, Lucas participava das comissões de Direitos Humanos e dos Direitos das Pessoas com Deficiência.

Além da advocacia, trabalhou na Ambev e atuou na Casa da Criança Paralítica (CCP), em Campinas, onde exerceu atividades como paciente e diretor-secretário. Também participou do projeto de Extensão de Natação Paralímpica da Unicamp.

Possível crime de ódio ainda precisa ser comprovado

A hipótese de crime de ódio ganhou espaço nas primeiras etapas da investigação devido às circunstâncias em que o corpo foi encontrado e à trajetória da vítima. Entretanto, a classificação jurídica depende da identificação da motivação e das provas reunidas pela investigação.

O fato de Lucas ser uma pessoa com deficiência e atuar na defesa dos direitos desse grupo não permite, isoladamente, concluir que essa característica tenha relação com o homicídio.

A investigação deverá esclarecer se houve uma motivação pessoal, patrimonial, relacionada à atividade profissional ou outra circunstância ainda desconhecida. Também será necessário determinar quando e onde Lucas foi morto e quem participou da ação.

A Polícia Civil não divulgou, até o momento, detalhes sobre a dinâmica da prisão nem informou se pretende solicitar a conversão da prisão em flagrante ou a manutenção da custódia por decisão judicial.

O suspeito permanece à disposição da Justiça. A investigação continua para esclarecer a motivação, identificar eventuais outros envolvidos e reunir provas que possam sustentar a acusação criminal.

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