
A campanha de Lula afirmou que o presidente, por ser figura pública, é frequentemente abordado para fotografias e que uma imagem não comprova relação pessoal
A empresária Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal em três inquéritos que também envolvem e admitiu que procurou Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete do presidente Lula, para buscar apoio a uma proposta de fornecimento de canabidiol ao Ministério da Saúde.
Em entrevista ao g1, Luchsinger reconheceu que pedir apoio a um integrante do governo pode ter sido um erro. Ela, porém, negou que tenha feito pagamentos a Marcola em troca de favorecimento.
A PF identificou cerca de R$ 217 mil em despesas pagas por Luchsinger em benefício de Marcola em 2024. O ex-chefe de gabinete afirma que os valores faziam parte de um empréstimo pessoal de R$ 249 mil, que já teria sido quitado. A divergência está sob investigação.
Proposta não avançou
Em maio de 2024, Luchsinger enviou a Marcola uma minuta de Termo de Referência para aquisição de canabidiol pelo Ministério da Saúde. O documento previa dispensa de licitação e indicava a World Cannabis, ligada ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.
Luchsinger afirma que a proposta tinha finalidade regulatória e de saúde pública. O Ministério da Saúde informou, entretanto, que nenhuma das iniciativas apresentadas por ela relacionadas ao canabidiol ou a testes diagnósticos teve encaminhamento ou repercussão.
A empresária recebeu R$ 1,5 milhão de empresas ligadas ao Careca do INSS para atuar na prospecção de negócios. A PF investiga se houve tentativa de utilizar contatos políticos para favorecer interesses empresariais.
Amizade com Lulinha
Luchsinger afirmou que é amiga de Lulinha e de sua esposa, Renata, e que essa relação é anterior à Presidência de Lula. Segundo ela, nunca pediu ao filho do presidente que interferisse em decisões do governo.
A declaração contrasta com uma fala recente de Lula, que afirmou não conhecer a empresária e nunca ter tido proximidade com ela. Luchsinger, entretanto, publicou fotografias ao lado do presidente durante a campanha eleitoral de 2022.
A campanha de Lula afirmou que o presidente, por ser figura pública, é frequentemente abordado para fotografias e que uma imagem não comprova relação pessoal.
O que a PF investiga
As investigações apuram suspeitas de tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, envolvendo Luchsinger, e outros personagens. Até o momento, não foi identificado contrato público firmado como resultado das propostas apresentadas pela empresária.
A PF ainda deverá esclarecer se os pagamentos, as relações pessoais e as tratativas com integrantes do governo fazem parte de uma atuação legítima de negócios e lobby ou se houve tentativa de obter vantagens indevidas.
Os investigados negam irregularidades e, até o momento, não há condenação pelos crimes investigados.


