Senador afirmou que ex-PM era reconhecido dentro do BOPE quando recebeu a Medalha Tiradentes; mãe e esposa de Adriano também trabalharam em seu gabinete na Alerj
A relação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o ex-capitão da Polícia Militar Adriano da Nóbrega foi um dos temas abordados durante a sabatina do senador no Jornal Nacional, nesta sexta-feira (28).
Questionado sobre a Medalha Tiradentes concedida a Adriano em 2005, Flávio afirmou que, na época, o ex-policial era reconhecido dentro do BOPE e que a homenagem ocorreu em razão de uma ocorrência envolvendo toda uma guarnição.
Segundo o senador, naquele momento não havia motivos para questionar a homenagem. Adriano foi posteriormente apontado por investigações como integrante e um dos líderes do chamado Escritório do Crime, grupo investigado por homicídios por encomenda e atividades relacionadas a milícias. Ele morreu em 2020, durante uma operação policial na Bahia.
Familiares trabalharam no gabinete
Um ponto não mencionado na resposta de Flávio durante a entrevista foi o vínculo profissional de familiares de Adriano com seu mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
A mãe do ex-capitão, Raimunda Veras Magalhães, trabalhou no gabinete de Flávio entre 2015 e 2018. A esposa de Adriano, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, também ocupou cargo no gabinete.
Os vínculos ocorreram quando Adriano já havia sido preso em outras ocasiões.
A família de Adriano também apareceu nas investigações sobre o suposto esquema de “rachadinha” no gabinete de Flávio na Alerj. O senador sempre negou qualquer irregularidade.
Flávio diz que Adriano foi injustiçado
Durante a entrevista, Flávio defendeu novamente o ex-capitão e afirmou que Adriano havia sido injustamente acusado de homicídio quando recebeu a medalha.
“Eu não posso ser responsabilizado pelo que a pessoa se transforma depois de 5, 10 ou 15 anos”, afirmou.
Adriano acabou sendo absolvido no processo de homicídio citado por Flávio, mas posteriormente passou a ser alvo de investigações que o apontaram como integrante do Escritório do Crime.
A relação entre Flávio, Adriano e seus familiares permanece como um dos episódios analisados no contexto das investigações sobre a atuação de milícias, homicídios de aluguel e o funcionamento do antigo gabinete parlamentar do senador.
Flávio Bolsonaro nega irregularidades e afirma que sua atuação sempre foi voltada à defesa dos policiais e da segurança pública.



