Candidato a deputado estadual Danilo Morgado é preso em operação que investiga infiltração do PCC na política de SP

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Os investigadores sustentam que a facção teria utilizado representantes, pessoas interpostas e estruturas empresariais para exercer influência sobre o setor. Foto Divulgação

Investigação apura suspeita de financiamento da campanha de Danilo Marco Morgado Silva por recursos atribuídos à facção; operação também mira Milton Leite e ex-presidente da SPTrans

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Por Sandra Venancio – Jornal Local

O candidato a deputado estadual Danilo Morgado (PL) foi preso nesta quinta-feira (17) durante a Operação Vectura Corrupta, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) para investigar a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo e em estruturas políticas do Estado. A investigação aponta suspeitas de que a campanha de Morgado à Prefeitura de Praia Grande tenha recebido recursos provenientes da organização criminosa.

Morgado, cujo nome completo é Danilo Marco Morgado Silva, disputou a Prefeitura de Praia Grande em 2024 pelo União Brasil. Dados eleitorais registrados pela Folha identificam o empresário como candidato a prefeito naquele pleito.

Segundo o UOL, a investigação do Ministério Público aponta que recursos atribuídos ao PCC teriam sido utilizados para financiar campanhas eleitorais. No caso de Danilo Morgado, a suspeita se refere à campanha municipal de 2020, quando ele também disputou a Prefeitura de Praia Grande.

Investigação mira um núcleo político

A Vectura Corrupta é um desdobramento da Operação Decúrio, realizada em agosto de 2024. A partir da análise de materiais apreendidos naquela investigação, policiais e promotores passaram a investigar a existência de estruturas do PCC voltadas à aproximação com agentes públicos, empresas e campanhas eleitorais.

A nova fase também investiga a atuação da facção no transporte coletivo. Segundo o Ministério Público, 12 das 22 empresas de ônibus que operam na capital paulista seriam, em tese, controladas direta ou indiretamente pelo PCC. A acusação consta da decisão judicial que autorizou os mandados.

Entre os alvos da operação estão o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) e o ex-presidente da SPTrans, Levi de Oliveira. A operação também alcança advogados e outros investigados apontados como integrantes ou colaboradores da estrutura investigada.

Danilo já havia aparecido em investigação anterior

O nome de Danilo Morgado já havia surgido nas investigações relacionadas à Operação Decúrio. Segundo informações divulgadas nesta quinta-feira, os investigadores passaram a analisar a relação do político com integrantes do grupo criminoso e a possível utilização de recursos ilícitos em campanhas eleitorais.

A investigação também alcançou pessoas próximas ao candidato. No início de setembro, Luciene Athaydes Morgado, mulher de Danilo, foi alvo de busca e apreensão em outra investigação relacionada à movimentação financeira de um grupo suspeito de atuar na Baixada Santista.

Essa circunstância, porém, não significa, por si só, que Danilo Morgado tenha participado dos fatos investigados contra sua mulher. A relação entre os dois episódios deverá ser esclarecida no decorrer das investigações.

Operação alcança transporte público

Além da frente política, a Vectura Corrupta investiga o suposto uso de empresas de transporte para movimentação e lavagem de dinheiro do crime organizado.

Entre as empresas citadas nas investigações estão Transwolff, A2 Transportes, Translider, Transbellaflor, Otratur, ABC Plus Transportes e Viação Bom Jesus, segundo informações divulgadas pelo UOL.

Os investigadores sustentam que a facção teria utilizado representantes, pessoas interpostas e estruturas empresariais para exercer influência sobre o setor. O objetivo da apuração é identificar a extensão dessa influência e eventual participação de agentes públicos e políticos.

Investigação ainda está em andamento

A Operação Vectura Corrupta mobilizou policiais e integrantes do Ministério Público em diferentes municípios paulistas. As informações divulgadas nesta manhã indicam divergência entre as primeiras versões sobre a quantidade de mandados de prisão: alguns relatos mencionam 16 ordens, enquanto o UOL, com base na decisão judicial, informa 13 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão.

As suspeitas investigadas ainda precisam ser submetidas ao contraditório e à análise judicial. A prisão e o fato de uma pessoa ser alvo de investigação não significam condenação ou comprovação definitiva de participação em crimes.

No caso de Danilo Morgado, a principal questão investigada nesta fase é se houve efetivamente financiamento eleitoral com dinheiro proveniente do PCC e qual teria sido a eventual contrapartida política buscada pela organização criminosa.

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