Milton Leite é alvo de operação que investiga infiltração do PCC no transporte de São Paulo

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A Operação Vectura Corrupta representa mais uma etapa das investigações sobre a expansão das atividades financeiras do PCC para além do tráfico de drogas. Foto Instagram

Ex-presidente da Câmara Municipal é alvo de mandado de prisão na Operação Vectura Corrupta, que apura suposto controle da facção sobre empresas de ônibus e possíveis conexões com agentes públicos e financiamento eleitoral

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Por Sandra Venancio – Jornal Local

O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) é alvo de um mandado de prisão temporária na Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17) pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Ministério Público Estadual. A investigação apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da capital e possíveis relações da organização criminosa com agentes públicos, empresas de ônibus e financiamento de campanhas eleitorais.

Segundo o Ministério Público, a investigação aponta que o PCC teria, em tese, controle direto ou indireto sobre 12 das 22 empresas de transporte coletivo que operam na capital paulista. O esquema investigado envolveria representantes ou pessoas interpostas pela facção dentro das empresas, além de movimentações financeiras que teriam utilizado o setor de transporte para lavagem de dinheiro.

A operação é um desdobramento das investigações iniciadas na Operação Decúrio, deflagrada em agosto de 2024. Nesta nova etapa, os investigadores apuram também a atuação de um grupo de advogados identificado nas investigações como a chamada “sintonia dos gravatas”, suspeita de funcionar como estrutura de apoio jurídico e operacional aos interesses da organização criminosa.

Milton Leite é apontado como possível operador de empresas

De acordo com informações atribuídas à investigação e reproduzidas pelo UOL, Milton Leite é citado em documentos como responsável direto pela operação de algumas empresas que estariam sob influência do PCC. Uma decisão judicial também menciona depoimentos de policiais militares segundo os quais o ex-vereador seria o proprietário de fato da Transwolff, empresa que já esteve no centro de investigações sobre lavagem de dinheiro e relações com a facção.

A acusação ainda está sob investigação e não representa condenação ou comprovação definitiva de responsabilidade criminal. Milton Leite nega ser proprietário de empresas de ônibus e rejeita qualquer envolvimento com o PCC.

Em declaração ao UOL, o ex-presidente da Câmara afirmou que sua atuação relacionada à SPTrans ocorreu em 2019, durante uma greve no transporte coletivo, a pedido do então prefeito Bruno Covas (PSDB). Ele afirmou que não houve ilegalidade em sua atuação.

Investigação alcança financiamento eleitoral

A ofensiva também investiga a existência de um suposto núcleo político ligado à organização criminosa. Segundo as investigações, recursos provenientes das atividades ilegais teriam sido utilizados para financiar campanhas eleitorais. Entre os alvos está Camilo Morgado (PL), candidato a deputado, segundo informações divulgadas nesta quinta-feira.

As autoridades também investigam a participação de ex-servidores da Prefeitura de São Paulo e da SPTrans. Entre os alvos está Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da empresa municipal de transporte. Segundo o Ministério Público, ele teria atuado na interlocução de interesses da facção com empresas do setor.

A investigação procura esclarecer se o grupo criminoso utilizava as empresas de ônibus não apenas para lavagem de dinheiro, mas também para obter influência sobre contratos públicos, movimentar patrimônio e estabelecer canais de relacionamento com agentes políticos e servidores.

Mandados e operação

A Operação Vectura Corrupta foi autorizada pela Justiça de São Paulo e mobilizou equipes da Polícia Civil e do Ministério Público. Os primeiros informes da manhã apontaram 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. Atualizações posteriores de veículos que tiveram acesso à decisão judicial informaram 13 mandados de prisão e 18 de busca. A diferença ainda aparece nos relatos publicados durante o andamento da operação.

Entre os alvos estão, além de Milton Leite, o ex-presidente da SPTrans Levi de Oliveira, advogados e empresários ligados ao setor de transporte.

A investigação sustenta que a atuação do PCC teria avançado sobre uma parcela significativa do sistema de ônibus da capital por meio de empresas formalmente privadas, mas que, segundo os investigadores, seriam controladas de forma direta ou indireta por integrantes da organização criminosa.

Milton Leite diz que vai se apresentar

Após a operação, Milton Leite afirmou que está no interior de São Paulo e negou estar foragido. Segundo declaração divulgada pelo UOL, ele disse que pretende se apresentar às autoridades dentro do prazo de 24 horas. O ex-vereador afirmou ainda que pretende demonstrar sua inocência e voltou a negar que seja proprietário de empresas de ônibus.

Milton Leite permaneceu por 27 anos na Câmara Municipal de São Paulo, onde exerceu sete mandatos consecutivos e presidiu o Legislativo paulistano em diferentes períodos. Atualmente, preside o diretório municipal do União Brasil e ocupa posição de liderança na Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas.

A Operação Vectura Corrupta representa mais uma etapa das investigações sobre a expansão das atividades financeiras do PCC para além do tráfico de drogas. O foco agora está na apuração de como recursos do crime organizado teriam chegado ao setor de transporte, contratos públicos, empresas privadas e estruturas políticas.

Até o momento, as acusações contra os investigados permanecem no âmbito da investigação policial e judicial. A defesa de Milton Leite nega as suspeitas.

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