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quinta-feira, fevereiro 12, 2026
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Taxa de juros deve continuar em queda, afirma Meireles

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Presidente do BC, que participou do Fórum Empresarial promovido pelo LIDE em Comandatuba, afirma que os desafios macroeconômicos do Brasil já foram superados

 

A queda da taxa de juros básicos da economia brasileira é uma tendência, disse nesta quinta-feira o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, durante sua exposição no 9º Fórum Empresarial LIDE, evento que reúne cerca de 320 participantes, entre empresários e autoridades, no hotel Transamérica, em Comandatuba, na Bahia. Sem citar projeções, Meirelles afirmou que a maneira mais eficiente de se reduzir a taxa de juros na ponta (ao consumidor final) não é interferir na Selic – que é uma ferramenta do Banco Central para manter as metas de inflação -, e sim incentivar a competição entre as instituições que concedem crédito.

 

“Temos que aprovar normas e leis para estimular a competição. É importante termos o cadastro positivo, que facilite a vida para quem tem um bom histórico de crédito”, afirmou Meirelles.

 

Para o presidente do BC, a previsão de crescimento para o Brasil, feita pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), de 5,5% para 2010, foi “conservadora”. “Nossa previsão é crescer 5,8% este ano”, afirmou Meirelles, acrescentando que, apesar das expectativas otimistas, não há risco de descontrole da inflação.

 

Meirelles, que durante sua apresentação citou diversos números que tratam dos avanços da economia brasileira nos últimos anos, avaliou que os desafios do País na área macroeconômica já estão resolvidos. Ele citou, por exemplo, a adoção de metas de inflação, do câmbio flutuante e o atual nível das reservas internacionais brasileiras, atualmente na casa de US$ 246 bilhões. “Agora temos que dar prioridade aos desafios de longo prazo”, disse o presidente do BC.

 

Ao ser questionado sobre investimentos futuros em infraestrutura no Brasil, Meirelles disse que é preciso a combinação de três fatores para estimular projetos deste tipo: crescimento econômico e estabilidade, o aumento da taxa de poupança dos setores público e privado, e financiamento externo. “Hoje há oferta grande de investimentos estrangeiros. Faltam projetos e interlocução. O Brasil está atraente para investidores de longo prazo. Precisamos de projetos viáveis. O importante é a manutenção da confiança de que esta trajetória de estabilidade continuará”, explicou. O Banco Central prevê que o Brasil receba este ano R$ 45 bilhões em investimentos estrangeiros.

 

Meirelles afirmou também que a tendência para o dólar nos próximos meses vai depender do desempenho da economia norte-americana – dívida pública e inflação – e também da China, que já anunciou que não irá valorizar sua moeda. “Há duas tendências. Em uma delas, o Real faz parte de um grupo de moedas diferente do passado, de países vulneráveis e sensíveis ao risco. Hoje é um grande produtor de commodities. Quando sobe o preço das commodities, o Real sai valorizado. Do outro lado, se o déficit em conta corrente crescer em ritmo superior ao investimento estrangeiro direto, isso irá demandar ajuste de câmbio, com depreciação do Real. Não existe uma tendência unidirecional. Muitos exportadores perderam apostando nisso. As tendências são contraditórias”.

 

Entre os dados mais recentes da economia citados por Meirelles durante sua apresentação, estavam a criação de aproximadamente 600 mil empregos formais no primeiro trimestre do ano e as vendas recordes de automóveis no mês de março, “que deve ser o melhor mês da história”, afirmou. Além disso, a classe de renda média, que em janeiro representava 30% da população brasileira em 2003, passou para 54% em janeiro de 2010. Neste período, apontou o presidente do BC, 25,9 milhões de pessoas passaram a fazer parte da classe média brasileira.

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