Dispostos a “fazer de Campinas a porta de entrada para o comércio com o Brasil”, na definição dos participantes, empresários argentinos reuniram-se com representantes da indústria e do comércio de Campinas no Encontro de Negócios realizado na última quarta-feira, dia 23. O evento foi promovido pela Prefeitura, Câmara de Comercio Argentino Brasileña – CAMBRAS e entidades empresariais, e terminou já prevendo a retribuição da visita, com a ida dos executivos campineiros a Buenos Aires e, dependendo das próximas conversas, também a Montevidéu, no Uruguai.
As Secretarias de Comércio, Indústria, Serviços e Turismo e de Cooperação Internacional ajudaram a organizar a reunião, coordenada pela presidente do CENIC-Trade Point, Alexandra Caprioli. “Os visitantes demonstraram muita determinação e interesse em estreitar laços comerciais com Campinas, e saíram ainda mais entusiasmados depois que conheceram também o povo e os atrativos da cidade”, afirmou a presidente, referindo-se também à reação dos argentinos depois do tour pelas 7 Maravilhas de Campinas, que ocupou a manhã da quarta-feira.
Depois do passeio, conduzido pelo departamento de Turismo da SMCIST, empresários argentinos e campineiros reuniram-se na sede da Associação Comercial e Industrial de Campinas – ACIC, uma das entidades apoiadoras, para a rodada de negócios. Participaram representantes dos setores de hotelaria, arquitetura e construção civil, alimentação, assessoria jurídica, informática, metalurgia e química.
Com a colaboração de associações como o Convention Bureau, SindusCon, CIESP e Habicamp, empresários atuantes em Campinas nessas áreas foram convidados e mantiveram conversações, troca de cartões e de informações. “Esse contato direto é fundamental e ajuda a firmar as bases para uma futura parceria comercial”, avalia o Secretário de Comércio e Indústria, Rui Rabelo, dizendo que os planos da Secretaria incluem estreitar laços de negócios com os países vizinhos, reforçando o MERCOSUL.
Parceria comercial
Brasil e Argentina já são parceiros tradicionais nos negócios, conforme demonstram dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Turismo. Segundo o órgão federal, no ano passado o Brasil exportou US$ 236 milhões e importou US$ 52,5 milhões da Argentina.
Os promotores do encontro acreditam não só que há espaço para crescimento, de ambos os lados, mas também que Campinas pode ocupar um lugar de destaque nesse comércio bilateral. “Campinas, com seu parque tecnológico e destaque em áreas de ponta, pode ser nossa escolha preferencial para iniciar parcerias” avalizou o presidente da CAMBRAS, Jorge Rodriguez Aparício.
O prefeito em exercício, Demétrio Vilagra, o diretor do gabinete do prefeito, Orlando Marotta Filho e o Secretário de Cooperação Internacional, Sinval Dorigon, que participaram da abertura do encontro, também enfatizaram o papel de destaque que Campinas pode desempenhar no comércio entre Brasil e Argentina. “Campinas é a 11ª economia do Brasil, um país que ocupa a 8ª posição econômica no mundo, com forte tendência de ascensão”, ilustrou Vilagra, para quem a cidade será “um parceiro forte e confiável”.
Outro que acredita no futuro da parceria é Carlos Roberto Pereira, executivo de Vendas da viação aérea Pluna, que trouxe os convidados argentinos e pretende se transformar na transportadora oficial dos participantes do intercâmbio. Com sede em Montevidéu, a Pluna já implantou vôos diários a partir de Campinas, com possibilidade de descida também em Buenos Aires e, segundo Pereira, o fluxo de passageiros poderá aumentar com as relações comerciais.
Interesse argentino
Na comitiva argentina, um dos maiores entusiastas do contato com Campinas é o advogado José Maria Allonca, do escritório Allonca Esquivel Abogados – legal & business consulting. “Além de tudo o que se fala de Campinas, temos que considerar as oportunidades oferecidas pelas áreas de tecnologia, desenvolvimento de softwares e prestação de serviços”, cita Allonca, que já mantém parceria com profissionais de São Paulo e pretende estendê-las para Campinas.
“Quando pensamos em negócios no Brasil, lembramos de Rio e São Paulo, mas Campinas é uma grande opção, que pretendemos explorar mais”. O advogado tem em sua pauta de trabalho, a médio prazo, um esforço para constituir consórcios de pequenas empresas “para que, juntas, se tornem grandes e possam também aproveitar as boas oportunidades”, explica.
Também destaque na delegação argentina, a empresa responsável pela produção e comercialização do doce Alfajor Argentino Premium enviou uma de suas sócias-gerentes, Silvia Chus, para reforçar o laço com Campinas. Ela explicou que os alfajores já estão presentes no cotidiano brasileiro por meio da importadora sediada em São Paulo, mas que existe potencial para crescimento: “acredito que, a partir de agora, iremos incrementar os pontos de venda na cidade”, previu.
Citando “a beleza da cidade, a hospitalidade da gente e a cordialidade no trato”, Sílvia fez até uma proposta, que mescla a negociação e o marketing: “podemos fazer uma nova receita do doce para ser o símbolo da doçura que irá permear as relações bilaterais entre Brasil e Argentina”.





