O que era para ser uma festa da democracia numa manifestação jamais vista em Campinas e que reuniu cerca de 30 mil pessoas, acabou num episódio com cenas de violência e vandalismo, comprovando que mobilizações sem direção e sem objetivos claros em geral não terminam bem.
Por volta das 15h o Largo do Rosário, local de concentração para a caminhada, já estava repleto de manifestantes. Jovens, em sua maioria, mas também senhoras idosas, trabalhadores, punks e anarquistas. Cartazes sobre os mais variados assuntos, indo da tarifa do transporte à PEC 37, Fora Renan, Contra a Corrupção, Feliciano nos Aguarde porque não te esquecemos, dividiam o espaço com outros que protestavam contra a nova ordem mundial. Mas um deles – onde estava escrito Pátria para que? – chamava a atenção.
Na caminhada pela Avenida Francisco Glicério, um bloco gritava: “prefeito Jonas, dance até o chão, o povo está unido contra o preço do busão”. Também na Glicério o governo Jonas foi lembrado outras vezes com palavras de ordem como: “Jonas, oportunista, se dava prá ser 3 porque era 3,30”?. Logo à frente, na Avenida Morais Salles um grupo de manifestantes hostilizou de forma violenta militantes do PSTU que participavam da manifestação com bandeiras do partido.
Grande parte dos manifestantes gritava “sem partido, sem partido”, enquanto os militantes contrapunham o grupo gritando palavras de ordem inaudíveis naquele momento. Por pouco não houve confronto. À frente do bloco do PSTU, estudantes do Instituto de Filosofia e Ciência Humanas (IFCH), da Unicamp, reivindicavam em uma grande faixa, redução da tarifa, estatização do transporte, abertura dos livros e o fim da repressão. Logo abaixo a faixa destacava que aqueles estudantes preferiam uma saída à esquerda.
Mas enquanto esses manifestantes se encaminhavam para a Avenida Irmã Serafina, e moradores nos prédios recebiam a manifestação com chuva de papel picado e agitavam bandeiras brancas de suas janelas, um pouco mais abaixo, na Avenida Anchieta, um grupo de vândalos barbarizava. Quebraram e incendiaram uma agência bancária, saqueavam lojas, supermercados promovendo cenas da mais pura barbárie.
Contra o prédio da Prefeitura foram atiradas pedras, paralelepípedos, bombas e até mesmo a porta do subsolo era forçada por vândalos co pedaços de ferro. Como resultado, o confronto deixou mais de 10 feridos, entre manifestantes e Guardas Municipais. Nesta sexta-feira, dia 21 de junho, o prefeito Jonas Dinizette avaliou em R$ 500 mil o total. A barbárie se espalhou por ruas do Centro até por volta das 21 horas. E a Transurc divulgou que 12 ônibus foram depredados.





