Pelo menos 11 das 138 pessoas que ocuparam o plenário da Câmara Municipal de Campinas no dia 7 de agosto tiveram comprovadas as participações em atos de vandalismo e deverão ser indiciadas pela Polícia Civil, segundo anúncio feito na manhã desta sexta-feira, dia 16, pelo delegado Hamilton Caviola Filho, o responsável pelo inquérito. Num procedimento que chamou de “isolamento de conduta”, o delegado apresentou imagens em que 11 pessoas aparecem participando de ações de depredação de patrimônio público em momentos diferentes da ocupação do Plenário – que durou quase seis horas.
“Ainda é cedo para dizer que essas pessoas lideraram as ações de depredação, mas está demonstrado que todas elas cometeram crime”, disse o delegado. A partir de agora, ele vai confrontar as imagens, com as fotos de documentos oficiais dos suspeitos – a serem requisitadas junto ao Instituto de Identificação do Departamento de Inteligência da Polícia Civil. “O envio dessas fotos é rápido. Deve levar quatro ou cinco dias”, afirmou.
O delegado lembrou, no entanto, que o número de indiciados deve ser muito maior. “Temos farto material comprobatório. Imagens requisitadas por nós junto a emissoras de TV vão permitir a identificação de praticamente todas as pessoas”, afirma. “A grande maioria dos manifestantes será identificada e responsabilizada”, garantiu.
Caviola diz que os vândalos deverão denunciados por dois crimes: dano qualificado a patrimônio público e resistência à prisão. Se forem condenados, poderão pegar até cinco anos de prisão. O delegado informou que das 138 pessoas levadas pela Polícia Militar para qualificação no 4º Distrito Policial na noite da ocupação, 30 são menores e terão de responder à Delegacia da Infância e Juventude.
Informou ainda que, além de todos os acusados, lideranças de partidos políticos também serão ouvidas. “Temos imagens de pessoas portando bandeiras ou vestindo camisetas de partidos, dentro do plenário. Temos que ouvir os dirigentes para saber se o partido sabia dessa participação, se estimulou ou não alguma ação neste sentido”, explicou.
O presidente da Câmara, vereador Campos Filho reiterou a decisão de ingressar com ações indenizatórias contra as pessoas que forem indiciadas pela polícia. “Assim que a Polícia Civil proceder a investigação e pedir o indiciamento, a Câmara vai ingressar com uma ação pedindo uma indenização pelos danos causados”, disse.
O Plenário foi ocupado por manifestantes – muitos deles encapuzados – durante a sessão do dia 7 de agosto. O grupo, que exigia passe livre no sistema público de transporte, permaneceu no local por cerca de seis horas. Depois de cinco tentativas de acordo, a PM entrou no Plenário e retirou os manifestantes, que foram levados para a delegacia em dois ônibus, onde foram identificados em liberados em seguida.
No período de ocupação, eles quebraram mesas, cadeiras, danificaram portas e fechaduras, picharam peças do mobiliário e arrancaram placas de revestimento acústico. Os invasores também quebraram microfones, câmeras; arrancaram cabos e conectores, destruíram placas com os símbolos da Câmara, vandalizaram a tribuna e profanaram as bandeiras do Brasil, São Paulo e de Campinas. Os mastros das bandeiras foram utilizados no reforço às barricadas montadas por eles e que fecharam duas das três entradas do Plenário. A estimativa de prejuízo é de R$ 50 mil.





