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quinta-feira, março 19, 2026
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Brasil pode ter mais de 312 mil infectados, diz estudo da UnB e da USP

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De acordo com estudo da UnB e da USP, número de pessoas contaminadas é 13 vezes maior do que as notificações oficiais do Ministério da Saúde. A falta de testes prejudica ações de contenção da doença.

Abaixo das dez nações líderes em casos registrados de contágio por coronavírus no mundo, o Brasil é também um dos últimos países em número na aplicação de testes por milhão de habitantes. Estudo de cientistas das universidades de Brasília (UnB) e de São Paulo (USP), em conjunto com institutos de pesquisa, indica que o Brasil pode ter mais de 312 mil casos da doença. 

O número é 13 vezes maior do que as notificações atualizadas do Ministério da Saúde, da ordem de 23 mil casos. As informações constam do portal Covid-19 Brasil, implementado pelo consórcio de pesquisadores. Os dados mostram que as subnotificações causadas pela falta de testagem escondem cenário mais grave da pandemia no país. Enquanto isso, o presidente Jair Bolsonaro aposta no caos e sabota o combate ao vírus. 

Os pesquisadores examinaram a proporção de casos com mortes até 10 de abril e compararam os números com dados sobre a taxa de mortalidade projetada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Se confirmados os cálculos, o Brasil estará atrás apenas dos Estados Unidos em número de casos registrados. O país faz em média 296 testes por milhão de habitantes. Já os Estados Unidos realizam 8.866 de testagens e a Alemanha, 15 mil.  

Falta testes em massa

Diante da necessidade urgente de fornecimento de testes para estados e municípios, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, anunciou que não há testes disponíveis para a toda população. O PT está preocupado com a falta de rumo e a possibilidade de que a situação, que já é grave, siga para um descontrole total.

“É muito grave o que está acontecendo. O governo Bolsonaro está apostando na não realização de testes para diminuir o número de pessoas infectadas e [registro de] mortes em razão da pandemia do Covid-19”, alertou a presidenta nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR).

Segundo a líder petista, Bolsonaro aposta na desinformação para sustentar o seu discurso político de que o coronavírus é apenas uma “gripezinha”. “Na verdade, teremos mais mortes do que as que estão sendo divulgadas. Isso porque o Ministério da Saúde não faz testes, não dispõe para estados e municípios os testes e kits que precisava dispor”, ressalta.

Ela lembra que a China já se propôs a mandar kits para o Brasil. “Temos como comprar, mas o ministro da Saúde fica dando entrevista, nos holofotes, quando deveria estar operacionalizando para que os insumos cheguem a estados e municípios”, critica.

Aumento expressivo de casos

Os dados dos cartórios de Registro Civil mostram que houve aumento substancial de mortes por insuficiência respiratória, entre 15 e 21 de março. “Foram 2.250 internações por síndrome respiratória aguda, enquanto no mesmo período do ano passado, foram 932”, compara. Gleisi destaca a alta probabilidade dos óbitos terem sido causados pelo coronavírus. 

Os números oficiais informam que os casos de internações por sintomas respiratórios graves foi, por exemplo, três vezes maior do que o normal para o período de março e abril. No entanto, apenas 12% deles foram confirmados como casos de Covid-19.

Outro motivo para as subnotificações, segundo os cientistas, é o foco do governo na testagem de casos graves de infectados, desconsiderando todos os casos suspeitos. O grupo observa que a testagem em massa é o melhor instrumento para avaliar a real escala de evolução da pandemia, caso da Coreia do Sul, um dos países com êxito na realização de testes em massa e controle da doença. “Isso sugere que a taxa de mortalidade seja mais fidedigna em relação a outros locais”, aponta o consórcio, em comunicado no portal. 

De acordo com reportagem publicada pelo jornal Globo, o consórcio fez uma projeção para as ocupações dos leitos de emergência e de UTIs nos estados. As estimativas apontam para um cenário de caos em estados como São Paulo e Amazonas, que já vive situação dramática. Os cenários desenhados para o Distrito Federal também são sombrios. 

“Se não houver medidas de distanciamento mais restritivas e o isolamento for reduzido, a cidade de São Paulo poderá ver o colapso de sua rede hospitalar já na próxima segunda-feira”, alerta Domingos Alves. líder do Laboratório de Inteligência em Saúde (LIS) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (USP). “Em Manaus, a rede já colapsou, a taxa de hospitalização está muito acima da capacidade de atendimento”, observa.

Sabotagem continua

Em meio à gravidade da situação, Bolsonaro continua a atrapalhar como pode o combate à epidemia. Sua última ação de sabotagem foi a suspensão do uso de dados celulares para monitorar a movimentação de pessoas nas cidades, como faz o governo de São Paulo. O cancelamento foi confirmado na segunda (13) pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Comunicações, Marcos Pontes.

“Após avaliação da equipe e com base no precedente internacional, gravei vídeo sobre a ferramenta a ser implementada”, informou Pontes, pelas redes sociais. E justificou: “Um dia depois, sábado, o presidente me ligou e solicitou prudência com esta iniciativa e que a ferramenta só fosse usada após análises extras pelo governo. Assim, determinei que o vídeo e outros posts fossem retirados das redes sociais até o término das análises extras e aprovação final do governo”. 

Bolsonaro também partiu para a guerra contra estados e municípios, criticando abertamente governadores que decretaram quarentena e estimulando manifestações pelo fim do isolamento social. Além disso, faz questão de ir na direção contrária ao que recomenda a OMS, ignorando os alertas do órgão das Nações Unidas de que o coronavírus é dez vezes mais letal do que o H1N1, que matou 18 mil pessoas no mundo.

Da Redação, com agências de notícias e informações do Portal Covid-19 Brasil

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