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sexta-feira, abril 24, 2026
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Il bisongno scrivere

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A antiga sabedoria dos latinos diziam: “il bisogno di scrivere um messagio verbale per conservare nel tempo e per comunicare, anche a la distanza”. Quero testemunhar alguns dos aprendizados que nossa sociedade vive graças ao carnaval. Para testemunhar isso precisamos refletir sobre esse “il bisogno di scrivere”. Escrever organiza. Seria a única forma de organização?
Organizar para expressa-ser é uma lição já conhecida. A expressão fecunda se faz acompanhar de organização. Mas… como entender a organização em meio ao ritmo e dança? Como perceber organização na arte? E na alegria? O ato carnavalesco se organiza através de expressão. Isso tem conseqüências importantes para compreender nossa cultura.
Por falar em entender a nossa cultura… não, nós estamos agora (e durante 40 dias) em penitência porque vivemos a alegria desta forma de aprendizado (o carvanaval). Que fique bem claro: – euforia não é culpa, nem movimento pautado na alegria que merece expiação. A quaresma não existe porque Jesus detestava o carnaval (alguns cristãos sim, detestam). Carnavalizar é oportunidade de manifestação criativa, sem juízo e sem pecado! Se a mídia (jornal e TV) insistem em “bumbum, nudez e sexualidade”… então é a mídia (e não a sociedade) que deve expiar-se, porque o jornal e a TV enxergam apenas uma parte da realidade.
E o que seria aprendizado que o carnaval celebra?
O registro é feito com o corpo, inteiro. O que é escrito com o corpo a fazer parte da tradição. Corpo e tradição, matéria e energia se expressam juntas. No carnaval essa integração chama-se “direção e harmonia”, pra desfilar cantando faz crônica social, isto é, faz versos que cantam e contam aspectos da vida. Contar e cantar exige movimento.Não apenas o movimento como a física estuda: – deslocamento… cuja métrica percebemos num espaço homogêneo…acelerando conforme o tempo. O aprendizado da física pode ocorrer apenas na abstração, coisa cerebral. Contar e cantar exige ais do que abstração e cérebro. Movimento que conta e canta permite ao corpo adequar-se; quer dizer, o corpo em movimento (contando e cantando) vai sendo adequado pelo equilíbrio (da rua, do vai e vem), vai sendo adequado pelo ritmo (do verso estrofe e da bateria vai sendo adequado pelo intercâmbio (do contato de olhar e farejar quem “lançou-perfumes”). Corpo em movimento canta e conta, gasta oxigênio, queima colesterol na alma e no corpo e, de modo flexível, refaz no samba enredo o sentimento de coletivo;
Aprendizado do que se conta, fazendo crônica em versos, permanece como lembrança, boa. Cada brasileiro se lembra e é capaz de assobiar uma boa marchinha, antiga (Lamartine Barros, Noel… ou atual (Martinho da Vila, Paulinho…. ) No distrito de Sousas o bloco “Unidos da Pérola” não foi esquecido e cada fevereiro somos “cantados” e o Boizinho requebra nos brilhos, caretas, penachos e caricaturas. Requebrar… quer dizer o quê? Corpo que requebra utiliza não apenas o olho e o cérebro para perceber; corpo requebrando requer funcionamento pleno, de todos os sensores. A estética é a medida do movimento?
A intenção é perceber a vida não apenas com os olhos e o cérebro. Perceber a vida é deixar-se adequar (ou engrenar) a ela.Corpo e alma movimento oxigena a inteligência. Não basta apenas “ver a banda passar”, olhando a mesmice na TV. Ouvi alguns dizendo: antenar-se. Que é antenar? Bem aventurança de quem se deixa conectar e enxerga dentro e longe, vendo perto e sendo visto junto. Aprendizado de carnaval ajuda-nos a questionar: como tem sido nosso modo de olhar? Apenas pela mídia? Se for apenas isso oscilamos entre o medo e o desejo do pecado; se assim for fugimos de ser corpo, pagamos academia e trocamos a memória volúpia do presente pela física planejada/dirigida dos equipamentos (na academia). Como vai a nossa capacidade de antenar? Vai bem das pernas? Lemos a realidade de que forma? Através da luneta? Ou pela epiderme? Alguns lêem a realidade através do cartão de crédito…
Faz bem saber. E mais bem nos faz o movimento de “ser sabido”. Quero dizer: a poesia sabe mais do que o poeta. E, muitas vezes, o que procuramos é a luz e não apenas o objeto iluminado. Aprendizagem através de carnavalização seria não perder (nem esconder) aquela qualidade instinto, feita de ritmo, equilíbrio e flexibilidade (requebro). Aprender pela profunda memória do presente (cantado em prosa e verso) muda os nomes do medo e oxigena a inteligência através de cognição. Conhecer precisa de símbolos, que são a embalagem inteligida das emoções. Símbolos têm cores, cheiros, símbolo faz sentido para a história e para os que se lembram. Aprendizagem é movi mento e não apenas retenção. A capacidade e o alcance da aprendizagem carregam baterias no Carnaval. Sem medo e sem culpas a quaresma fica mais plena e o que dela ressuscitamos ajuda a compreender as cinzas como Fênix… não como arrependimento.
Compreender as Cinzas como Fênix é importante. Afinal de contas se não temos Carnaval em todas as datas do ano.,.. podemos aprender todos os dias de nossa vida. Isso inverte o tempo.Carnaval é subversão, não tem tempo certo… só tem data. Nema ressurreição apenas depois da morte

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