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terça-feira, maio 5, 2026
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Banco Central destaca papel das cooperativas de crédito na inclusão financeira do país

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Live marca início das celebrações do Ano Internacional das Cooperativas e os 20 anos do departamento que supervisiona o setor no BC

Por Sandra Venancio


Presente em mais de três mil municípios brasileiros, o cooperativismo de crédito foi apontado pelo Banco Central (BC) como um dos principais motores da inclusão financeira no país, durante a 46ª edição da LiveBC.

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O programa, transmitido nesta semana, reuniu Adalberto Felinto da Cruz Junior, chefe do Departamento de Supervisão de Cooperativas e Instituições Não Bancárias (Desuc), e Ivens Arua Neves de Miranda, chefe-adjunto do setor. Os dois destacaram o crescimento das cooperativas dentro do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e o impacto positivo na oferta de serviços bancários a regiões historicamente desassistidas.

Dois executivos do Banco Central, especialistas em cooperativismo de crédito, explicam que a premissa de estar e atuar em espaços em que o sistema tradicional não tem interesse explica porque segmento cresceu quase mais que o dobro do registrado pelos bancos. Foto Rovena Rosa/Agencia Brasil

Segundo os representantes do BC, o cooperativismo de crédito tem sido peça fundamental da Agenda BC#, iniciativa que impulsiona inovação, competitividade e democratização do acesso ao sistema financeiro. Eles afirmam que o desempenho do setor está diretamente conectado à missão da instituição de ampliar cidadania econômica e fomentar desenvolvimento regional.

Adalberto Felinto e Ivens Miranda ressaltaram que o setor de cooperativas integra a “agenda positiva que o Banco Central vem desenvolvendo já há muito tempo”, a Agenda BC# . Ivens Miranda, por sua vez, afirmou que o segmento está intrinsecamente ligado à própria missão do BC, que está “muito alinhada com toda a performance que a gente vê do cooperativismo nos últimos anos e nos próprios princípios desse segmento”.

No programa, a dupla do BC enfatizou, ainda, o crescimento acelerado do cooperativismo em comparação com o sistema financeiro tradicional e seu compromisso com o desenvolvimento regional, especialmente em municípios com pouca presença bancária.

“Enquanto o sistema financeiro tradicional reduz seus postos de atendimentos presencial no país, com queda no número de agências, o sistema de cooperativas apresenta contrafluxo, crescendo no número de postos de atendimento e de municípios em que atua. Cerca de quinhentos municípios brasileiros não contam com instituições bancárias tradicionais, somente cooperativas”, destacou o Chefe do Departamento, Adalberto Felinto.

O encontro também marcou o início de um ciclo comemorativo: 2025 será o Ano Internacional das Cooperativas, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), coincidindo com os 20 anos de criação do Desuc, responsável pela supervisão e fortalecimento da governança das cooperativas no país.

Entre os desafios para o futuro, Felinto e Miranda citaram a necessidade de ampliar a digitalização dos serviços, garantir sustentabilidade da expansão e aprimorar mecanismos de proteção ao cooperado, mantendo a solidez do sistema em um cenário de maior concorrência.

O BC reforçou que continuará incentivando o modelo cooperativo como alternativa segura, competitiva e mais próxima da população, especialmente em municípios de menor porte, onde bancos tradicionais não chegam.

O que os dados mostram

Bancos

  • A taxa média para empréstimo pessoal sem consignação em bancos foi em torno de 7,85% ao mês (em 08/2024) para pessoa física, segundo pesquisa do Procon‑SP. Procon SP
  • Para créditos livres (famílias e empresas) no início de 2025, a média anual para famílias foi de 57,7% ao ano.
  • Em levantamento de fevereiro/2025: bancos variavam entre ~6,29% a ~9,99% ao mês para empréstimo pessoal.

Cooperativas de crédito

  • Um estudo do Banco Central do Brasil (BCB) mostrou que as taxas cobradas por cooperativas são significativamente menores do que pelos bancos para operações de crédito pessoal sem consignação.
  • Um blog de educação financeira especializado indica que em cooperativas as taxas para associados começam “a partir de 1,5% ao mês (≈19,6% ao ano)” para quem recebe pela cooperativa.
  • Outro dado aponta que associados de cooperativas gastam “50% a menos em taxas de crédito pessoal e até 55% a menos com juros no cartão de crédito” em comparação com bancos.

Porcentagens comparativas (resumo)

InstituiçãoLinha analisadaTaxa típica*
Bancos comerciaisEmpréstimo pessoal (PF)~ 6-10% ao mês (~72-120% ao ano)
Cooperativas de créditoEmpréstimo pessoal para associados~ 1,5-3% ao mês (~19-36% ao ano)

*Valores aproximados, variam conforme perfil do cliente, modalidade, garantias, e data da medição.

Interpretação e implicações

  • A diferença indica que cooperativas de crédito tendem a ter custos de crédito menores para associados, provavelmente em razão de sua natureza mutualista (sem finalidade de lucro) e de relacionamento mais próximo com o associado.
  • Para o consumidor ou pequeno empresário, isso significa que buscar uma cooperativa em seu município pode trazer taxas mais atrativas do que bancos tradicionais.
  • No entanto, a taxa final ainda depende de muitos fatores: margem de risco, prazo, garantia, se há consignação, se é pessoa física ou jurídica.

Riscos e ressalvas

  • Mesmo que médias mostrem vantagens das cooperativas, não há garantia de que todas as cooperativas oferçam taxas baixas para todos os clientes; existe variabilidade.
  • Os dados apontam médias históricas; o cenário de 2025 pode variar em função da elevada taxa básica de juros (Banco Central do Brasil definindo a Selic em ~15% ao ano). blog nubank+1
  • Em muitos casos, as cooperativas podem exigir condições específicas (ser associado ativo, receber salário via a cooperativa, ter vínculo com instituição) para obter as taxas mais baixas.

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