Parlamentares pedem investigação sobre possível monitoramento da esposa e da filha após relato de intimidação durante interrogatório conduzido por autoridades israelenses

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Deputados federais acionaram a Polícia Federal, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania após denúncias de que familiares do ativista brasileiro Thiago Ávila estariam sendo alvo de ameaças e possível monitoramento relacionado à prisão dele em Israel. A mobilização parlamentar é liderada pelo deputado João Daniel [PT-SE] e conta com apoio de parlamentares como Luizianne Lins [Rede-CE] e Luiz Couto [PT-PB].
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Thiago Ávila foi detido por forças israelenses após a interceptação de uma flotilha internacional em águas próximas à Grécia. O grupo tentava levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza e denunciar o bloqueio imposto por Israel ao território palestino. Segundo aliados do ativista, ele permanece preso sem acusações formais claras, em meio a denúncias de isolamento, violência psicológica e possíveis maus-tratos.
O caso ganhou nova dimensão após a esposa do ativista, a psicóloga Lara Souza, afirmar que investigadores israelenses mostraram imagens da rotina da família durante interrogatórios de Thiago Ávila. Segundo ela, o marido interpretou a ação como ameaça indireta contra seus familiares no Brasil.
“Thiago pediu que eu tome cuidado porque os investigadores israelenses mostraram fotos da nossa família no cotidiano e ele se sentiu ameaçado”, relatou Lara em declaração reproduzida nos documentos enviados às autoridades brasileiras.
Nos ofícios encaminhados ao Itamaraty e à Polícia Federal, os parlamentares classificam o episódio como “extrema gravidade” e apontam possível utilização da família como instrumento de pressão psicológica durante a detenção do ativista. O fato de as imagens envolverem a filha do casal, uma criança de dois anos, elevou a preocupação de entidades de direitos humanos e integrantes do Congresso Nacional.
A PF foi acionada para investigar se houve eventual monitoramento da família em território brasileiro, incluindo coleta de imagens, vigilância da rotina familiar ou compartilhamento de dados pessoais. O pedido inclui apuração sobre possível participação de agentes estrangeiros ou intermediários atuando no país.
O Ministério Público Federal também foi comunicado para acompanhar o caso e avaliar possíveis violações de direitos fundamentais e soberania nacional. Já o Itamaraty recebeu solicitação para cobrar explicações formais do governo de Israel sobre a origem das imagens utilizadas durante os interrogatórios e exigir garantias de proteção à família do ativista.
Segundo relatos divulgados por advogados e pela ONG israelense Adalah, Thiago Ávila teria sido submetido a isolamento prolongado, interrogatórios intensivos, privação sensorial e ameaças durante o período de detenção. A organização classificou as condições como possíveis violações de direitos humanos.
A esposa do ativista afirmou ainda que ele segue em greve de fome e denunciou episódios de violência física. “Ele sofreu espancamentos, ameaças e violência psicológica”, declarou Lara Souza em vídeo publicado nas redes sociais.
O caso ocorre em meio ao agravamento das tensões internacionais envolvendo a guerra em Gaza e amplia o desgaste diplomático entre setores do governo brasileiro e autoridades israelenses. Nos bastidores políticos, parlamentares da base governista pressionam o Palácio do Planalto por uma atuação diplomática mais dura em defesa do ativista brasileiro e por uma posição mais crítica às ações militares de Israel no território palestino.




