Marcos Pollon, Marcel van Hattem e Zé Trovão receberam punição de 60 dias após ocupação da Mesa Diretora em protesto pela anistia dos envolvidos no 8 de Janeiro

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O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (5) a suspensão por 60 dias dos deputados Marcos Pollon, Marcel van Hattem e Zé Trovão pela participação na ocupação da Mesa Diretora da Câmara em agosto de 2025, episódio que paralisou os trabalhos legislativos por cerca de 30 horas.
A punição foi aprovada após parecer do deputado Moses Rodrigues, relator do processo disciplinar. As representações foram votadas separadamente, embora o relatório tenha sido apresentado em conjunto. Os pareceres contra Pollon e Van Hattem foram aprovados por 13 votos a 4. Já a suspensão de Zé Trovão teve placar de 15 votos favoráveis e 4 contrários.
Os três parlamentares anunciaram que irão recorrer da decisão à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Caso o recurso seja rejeitado, ainda poderão recorrer ao plenário da Câmara.
RETRanca | MOTIM PARALISOU CONGRESSO
O episódio investigado ocorreu após a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. Parlamentares bolsonaristas ocuparam as mesas diretoras da Câmara e do Senado em protesto, impedindo sessões legislativas e pressionando pela votação de propostas de anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Durante o motim, deputados permaneceram dentro do plenário em esquema de revezamento, bloqueando fisicamente o funcionamento da Casa e impedindo que o então presidente da Câmara, Hugo Motta, assumisse a condução dos trabalhos.
Na sessão do Conselho de Ética desta terça-feira, os parlamentares punidos afirmaram que repetiriam a ocupação caso considerassem necessário.
“Se for preciso tomar a Mesa novamente em algum momento da história para defender quem me elegeu assim o farei”, declarou Zé Trovão.
Marcel van Hattem afirmou: “Se for preciso, faremos quantas vezes for necessário”.
Já Marcos Pollon classificou a punição como uma “medalha” e disse que o ato representou uma reação ao suposto descumprimento de acordos sobre a tramitação da anistia.
RETRanca | PRESSÃO SOBRE HUGO MOTTA
A sessão foi marcada por forte tensão entre governistas e oposição. Integrantes do PL acusaram Hugo Motta de conduzir o processo de forma política e retaliatória.
O líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante, afirmou que a suspensão atende a um desejo pessoal do presidente da Casa.
“O senhor quer ficar exposto a esse nível com o plenário da Casa? Porque nós vamos até às últimas consequências”, declarou o parlamentar durante os debates.
Deputados bolsonaristas também criticaram o encerramento das votações no plenário principal enquanto o Conselho de Ética analisava os processos, interpretando a medida como tentativa de acelerar as punições.
RETRanca | FALAS, OFENSAS E INVESTIGAÇÕES
Além da participação no motim, Marcos Pollon também responde a outra representação no Conselho de Ética por declarações feitas em manifestação no Mato Grosso do Sul, quando chamou Hugo Motta de “baixinho de 1,60m” ao criticar a demora na tramitação da anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro.
Esse segundo processo ainda não foi julgado.
A representação relativa ao motim foi apresentada pelo deputado Gilberto Abramo, aliado político de Hugo Motta. Já a ação relacionada às falas de Pollon foi protocolada por Lindbergh Farias, Pedro Campos e Talíria Petrone.
Durante a sessão, Zé Trovão chorou ao afirmar que a suspensão afetará os salários de funcionários de seu gabinete e acusou o Conselho de cometer uma injustiça. Em seguida, voltou a atacar ministros do Supremo Tribunal Federal.
A defesa de Marcel van Hattem negou que o deputado tenha ocupado a cadeira da presidência da Câmara ou impedido formalmente o início da sessão legislativa. O parlamentar classificou o processo como tentativa de silenciar a oposição e comparou o caso aos julgamentos dos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro.
O episódio aprofunda o ambiente de tensão entre o comando da Câmara e a ala bolsonarista do Congresso, em meio à disputa política sobre anistia, limites institucionais e pressão sobre o STF.




