Ex-sócio de Flávio Bolsonaro reúne mensagens, áudios e notas fiscais e faz novas acusações contra candidato

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O material cita festas com garotas de programa custeadas com dinheiro de origem suspeita, despesas e presentes pagos por terceiros, desdobramentos das rachadinhas e alegada intermediação de interesses privados junto ao gabinete do ministro Kassio Nunes Marques, do STF. Foto Reprodução

Material publicado pelo PlatôBR reúne registros atribuídos a Alexandre Santini, ex-sócio de Flávio Bolsonaro, e relata pagamentos de terceiros, festas privadas, negócios e suposta intermediação de interesses junto ao ministro Kassio Nunes Marques

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Por Sandra Venancio – Jornal Local

A poucos dias da eleição presidencial, uma reportagem do PlatôBR colocou novamente no centro do debate a relação entre o candidato Flávio Bolsonaro (PL) e seu antigo sócio Alexandre Ferreira Dias Santini.

O material reúne mensagens, áudios, notas fiscais, documentos e relatos atribuídos a Santini, que foi sócio de Flávio em uma franquia da Kopenhagen na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

As informações apresentam acusações sobre despesas pessoais pagas por terceiros, encontros privados, negócios, o antigo caso das rachadinhas e uma suposta intermediação de interesses privados envolvendo o gabinete do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).

São acusações feitas a partir do relato e do acervo atribuído a Santini. Mas o material chama atenção porque não se limita a declarações atuais. Há notas fiscais, mensagens e registros de relações comerciais e pessoais que podem ser confrontados com outros documentos.

QUEM É SANTINI?

Santini foi sócio de Flávio Bolsonaro na empresa Bolsotini Chocolates e Café Ltda., responsável por uma franquia da Kopenhagen na Barra da Tijuca. A empresa apareceu na investigação das chamadas rachadinhas do gabinete de Flávio quando ele era deputado estadual no Rio. Na época, o Ministério Público do Rio de Janeiro sustentou que a loja poderia ter sido utilizada para lavagem de dinheiro relacionado ao suposto esquema.

A investigação sofreu sucessivas decisões judiciais e acabou arquivada. Em 2020, a Justiça do Rio havia determinado a suspensão da investigação especificamente em relação a Santini.

O próprio Santini posteriormente entrou na Justiça contra Flávio para cobrar cerca de R$ 1,47 milhão. O processo trouxe documentos sobre a movimentação financeira da antiga sociedade. Em 2023, Santini afirmou à Justiça que Flávio teria colocado R$ 200 mil em dinheiro vivo na abertura da empresa. Flávio contestou as acusações e afirmou que Santini estaria tentando pressioná-lo para receber dinheiro.

A BRIGA QUE ABRIU O COFRE

Segundo o PlatôBR, a relação entre os dois se rompeu e Santini passou a cobrar um acerto financeiro. Foi nesse contexto que, segundo a reportagem, começaram a aparecer mensagens e registros de situações envolvendo Flávio e pessoas próximas. O que torna o material relevante é justamente a variedade dos documentos. Não se trata apenas de uma entrevista de um ex-sócio. São mensagens, áudios, comprovantes e notas fiscais que podem ser confrontados individualmente.

FESTAS, DESPESAS E DINHEIRO DE TERCEIROS

Entre as acusações apresentadas pelo PlatôBR estão relatos de festas privadas com garotas de programa e despesas que, segundo Santini, teriam sido pagas por terceiros. Uma das mensagens atribuídas ao ex-sócio trata da organização de uma nova festa e pede sigilo por causa do período eleitoral. O material também menciona despesas pessoais que teriam sido assumidas por pessoas próximas a Flávio.

A reportagem cita, entre outros itens, equipamentos de academia, uma televisão e mensalidades de uma academia frequentada por Flávio e Fernanda Bolsonaro.

UM RELÓGIO DE R$ 305 MIL

Um dos documentos citados pelo PlatôBR é uma nota fiscal referente a um Rolex Submariner Date, comprado em fevereiro de 2022 por cerca de R$ 305 mil. Segundo a reportagem, o relógio teria sido comprado pelo advogado Alan Belaciano, mas mensagens preservadas por Santini indicariam que o destinatário seria Flávio Bolsonaro.

A CHOCOLATERIA E OS R$ 200 MIL

Em 2023, ao cobrar judicialmente valores que dizia ter direito a receber, Santini afirmou que Flávio havia colocado R$ 200 mil em espécie no negócio. O processo também revelou que, nos seis meses anteriores à venda do ponto, a empresa transferiu aproximadamente R$ 909 mil para Flávio e R$ 585 mil para Santini, segundo documentos apresentados no processo.

QUEIROZ TAMBÉM APARECE

Outro personagem conhecido do antigo caso das rachadinhas aparece nos arquivos: Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro.

Segundo o material publicado pelo PlatôBR, áudios mostram Queiroz procurando Santini para pedir ajuda financeira e transmitir cobranças a Flávio. A relação entre Queiroz e Flávio já havia sido central na investigação sobre o gabinete do então deputado estadual.

A antiga investigação, porém, teve sua trajetória judicial alterada por decisões que atingiram provas e procedimentos. Portanto, as novas mensagens atribuídas a Santini não podem ser apresentadas como uma reabertura automática daquele caso.

O PONTO MAIS SENSÍVEL: KASSIO NUNES MARQUES

A parte institucionalmente mais delicada do material envolve o ministro Kassio Nunes Marques, do STF. Segundo o PlatôBR, Santini teria escrito a Flávio afirmando que ele havia conversado diretamente com Kassio Nunes Marques para tratar dos interesses de um cliente em processo que tramitava no gabinete do ministro. A mensagem atribuída a Santini questiona a atuação de Flávio e menciona a suposta intermediação. Pouco depois, segundo a reportagem, Flávio teria marcado um encontro com Santini em seu gabinete. O PlatôBR afirma que não sabe o que foi tratado nesse encontro. Até aqui, o material apresentado sustenta que Santini fez essa acusação e deixou registrada a mensagem.

O QUE FLÁVIO DISSE

Questionado anteriormente sobre as acusações de Santini, Flávio Bolsonaro classificou as alegações como infundadas e afirmou que o ex-sócio havia feito cobranças financeiras que ele não aceitou. Sobre equipamentos de academia pagos por um amigo, Flávio afirmou que se tratava de um empréstimo pessoal que seria posteriormente pago.

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