TSE amplia informações exigidas em pesquisas eleitorais a partir de outubro

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Segundo a decisão divulgada pelo TSE, o questionário tinha 48 perguntas, sendo oito relacionadas a Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e ao Banco Master. Foto Fellipe Sampaio/SCO/STF

Novo formulário do Pesquisa passa a reunir dados mais detalhados sobre amostra, coleta, questionário e execução das entrevistas; institutos questionam a implantação durante a campanha

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atualizou o Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle) e determinou que os institutos passem a apresentar informações mais detalhadas sobre a metodologia e a execução dos levantamentos das eleições de 2026. A atualização do sistema está prevista para entrar em operação em 5 de outubro, após o primeiro turno, marcado para 4 de outubro. O tribunal afirma que a medida aprimora a apresentação de informações que já são exigidas pela legislação eleitoral.

O novo sistema prevê informações sobre a população representada, plano amostral, tamanho projetado da amostra, nível de confiança, margem de erro, método utilizado para acessar os entrevistados e eventual utilização de áudio, vídeo ou imagens durante as entrevistas. Também deverá ser informada a ordem de apresentação das perguntas do questionário.

Depois da realização do trabalho de campo, os institutos deverão complementar os registros com os dados efetivamente obtidos. Entre as informações previstas estão a data e o horário de início e término das entrevistas, o tamanho real da amostra, perdas, recusas e substituições, método de coleta, plataforma utilizada, procedimento de ponderação, medidas de precisão estatística, taxa de resposta e limitações metodológicas identificadas.

Em comunicado divulgado pelo TSE em 25 de setembro, o tribunal informou que a atualização foi resultado de reuniões realizadas em julho entre o ministro Kassio Nunes Marques e representantes de empresas de pesquisa, além de trabalho técnico desenvolvido por um grupo criado no mesmo período. Segundo o TSE, as mudanças não criam novas obrigações legais, mas detalham e padronizam informações previstas na Resolução nº 23.600/2019.

A legislação eleitoral já determina o registro das pesquisas no PesqEle e estabelece informações que devem ser disponibilizadas para consulta. O sistema público permite verificar, entre outros dados, metodologia, período de realização, tamanho da amostra, margem de erro, estatístico responsável e questionário utilizado. O próprio TSE informa que não realiza controle prévio sobre os resultados das pesquisas e que a atuação judicial ocorre quando provocado.

A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep) manifestou críticas ao momento e à forma de implantação das mudanças. Representantes de institutos defenderam período de testes e adaptação antes da entrada em funcionamento do novo modelo. A diretora do Datafolha, Luciana Chong, afirmou que parte das informações já é fornecida pelos institutos e questionou a inclusão de novos campos durante o processo eleitoral.

“Várias dessas perguntas a gente já responde. Margem de erro, intervalo de confiança, o tipo de abordagem. Tudo isso já é informado. Acho que não foi uma coisa muito bem pensada. Não me parece nada prático fazer isso. E qual é o objetivo?”, declarou Chong, segundo reportagem publicada nesta terça-feira.

A estatística Renata Nunes Cesar, do Datafolha, também citou a necessidade de informar entrevistados que abandonaram o questionário antes do término. Márcia Cavallari, da Ipsos-Ipec, defendeu que o sistema pudesse receber informações metodológicas específicas de cada instituto.

A discussão ocorre depois de uma decisão do próprio TSE envolvendo uma pesquisa da AtlasIntel registrada para a disputa presidencial. Em junho, Kassio Nunes Marques determinou a suspensão da divulgação do levantamento BR-06939/2026 após representação apresentada pelo Partido Liberal (PL). A legenda alegou que o questionário poderia induzir respostas desfavoráveis ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Segundo a decisão divulgada pelo TSE, o questionário tinha 48 perguntas, sendo oito relacionadas a Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e ao Banco Master. O ministro também mencionou o uso de áudio apresentado aos entrevistados e determinou que a AtlasIntel apresentasse documentação técnica sobre a metodologia utilizada.

O TSE informou que o PesqEle continuará permitindo a consulta pública dos registros. O Portal de Dados Abertos do tribunal também disponibiliza arquivos de pesquisas eleitorais de 2026, incluindo informações sobre pesquisas, contratantes, pagantes, questionários, notas fiscais e detalhamento de municípios e bairros.

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