Presidente do PL afirmou que senador procurou Daniel Vorcaro para tentar obter “restante do dinheiro” do filme sobre Jair Bolsonaro; declaração abriu nova frente de desgaste político para a pré-campanha presidencial

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Uma declaração do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, provocou novo desgaste político para o senador Flávio Bolsonaro [PL-RJ] ao contradizer a versão apresentada pelo parlamentar sobre sua visita ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Durante entrevista à GloboNews, Valdemar afirmou que Flávio teria ido ao encontro de Vorcaro “para ver se conseguia o restante do dinheiro” destinado ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A fala produziu repercussão imediata porque o senador havia sustentado anteriormente que procurou o banqueiro apenas para “botar um ponto final nessa história”, numa tentativa de apresentar o encontro como um rompimento político e financeiro.
Nos bastidores do PL, aliados admitem que a declaração agravou uma situação já considerada delicada após o avanço das investigações envolvendo Vorcaro e operações atribuídas ao Banco Master. A ausência de resposta pública direta de Flávio após a entrevista ampliou o desconforto dentro do partido e abriu espaço para novos ataques da oposição.
Oposição explora contradição e cobra explicações
Parlamentares governistas e dirigentes da esquerda reagiram imediatamente à fala de Valdemar. O deputado federal Rogério Correia [PT-MG] afirmou que o dirigente partidário teria confirmado suspeitas sobre a relação financeira entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
Já o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos [PSOL-SP], classificou a declaração como mais um “sincericídio” do presidente do PL e questionou a naturalização do encontro entre um senador da República e um banqueiro investigado e monitorado judicialmente.
O deputado federal Orlando Silva [PCdoB-SP] afirmou que Valdemar teria feito uma “admissão involuntária” ao reconhecer que a reunião discutia recursos financeiros ligados ao filme. O líder petista Lindbergh Farias [PT-RJ] ironizou a sequência de versões apresentadas por integrantes do bolsonarismo, enquanto o ministro Paulo Pimenta [PT-RS] afirmou que o presidente do PL “jogou gasolina” em uma crise já instalada.
O episódio atinge diretamente um dos pontos mais sensíveis da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro: a tentativa de afastar a associação entre o núcleo bolsonarista e o escândalo financeiro envolvendo o Banco Master. Reportagens e documentos divulgados nas últimas semanas apontam negociações envolvendo recursos para o financiamento do filme “Dark Horse”, incluindo pedidos milionários atribuídos ao senador.
Segundo estimativas investigadas pela Polícia Federal, o rombo sob análise envolvendo operações do Banco Master pode alcançar cifras bilionárias. Flávio Bolsonaro nega irregularidades e sustenta que as tratativas envolviam apenas patrocínio privado sem qualquer contrapartida política ou favorecimento institucional.
Pesquisa eleitoral e tensão interna no PL
A crise ocorre em um momento considerado estratégico para o PL, que tenta consolidar Flávio Bolsonaro como principal nome do bolsonarismo para a disputa presidencial. Pesquisa Datafolha divulgada após a repercussão do caso mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva [PT] numericamente à frente de Flávio em cenários de primeiro e segundo turno.
Apesar da turbulência, Valdemar Costa Neto tem reiterado internamente que o partido mantém apoio à candidatura do senador e descarta, neste momento, substituir Flávio por Michelle Bolsonaro como representante do campo bolsonarista em 2026.
A fala do presidente do PL, entretanto, deslocou o centro da crise política. A discussão deixou de se concentrar apenas na origem dos recursos ligados ao filme e passou a envolver o motivo pelo qual Flávio Bolsonaro teria procurado Daniel Vorcaro após a prisão do banqueiro para discutir novos repasses financeiros.




