Senador viajou aos Estados Unidos sem confirmação de reunião na Casa Branca e busca gesto político de Donald Trump para conter desgaste após avanço das investigações sobre o Banco Master

<OUÇA A REPORTAGEM>
<Siga o canal do Jornal Local no WhatsApp>
O senador Flávio Bolsonaro [PL-RJ] desembarcou em Washington tentando viabilizar um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mesmo sem compromisso confirmado na agenda oficial da Casa Branca. A movimentação ocorre em meio ao desgaste político provocado pelas investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master.
Nos bastidores da campanha bolsonarista, aliados avaliam que uma fotografia ao lado de Trump serviria para conter o impacto político das revelações sobre a proximidade de integrantes do clã Bolsonaro com Vorcaro. O banqueiro tornou-se alvo de investigações da Polícia Federal e de órgãos de controle financeiro após operações envolvendo fundos públicos, bancos e supostas articulações políticas.
Segundo interlocutores próximos ao grupo político, a viagem de Flávio teria sido articulada em conjunto com o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro [PL-SP], que mantém relações com setores da direita norte-americana e aliados trumpistas. A estratégia seria produzir um gesto simbólico de apoio internacional ao senador em meio ao aumento da pressão política no Brasil.
Integrantes da campanha avaliam que a associação pública com Trump poderia reforçar a narrativa de liderança conservadora internacional e evitar perda de apoio dentro da base bolsonarista. Nos bastidores, auxiliares do senador admitem preocupação com o impacto eleitoral das investigações que atingem empresários e operadores próximos ao núcleo político da família Bolsonaro.
Reestruturação da campanha e agenda econômica
A tentativa de aproximação com Trump ocorre após mudanças no núcleo de comunicação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. O marqueteiro Marcello Lopes, conhecido como Marcelão, deixou a equipe depois da repercussão de pagamentos atribuídos a Daniel Vorcaro para campanhas digitais contra o Banco Central.
Com a saída de Marcelão, assumiram o comando da estratégia os publicitários Alexandre Oltramari e Eduardo Fischer, empresário ligado ao setor de marketing e ex-sócio de Roberto Justus.
Segundo fontes próximas à articulação política em Washington, integrantes do grupo bolsonarista também tentam apresentar ao mercado financeiro internacional uma agenda econômica alinhada ao liberalismo econômico. Entre os pontos discutidos estariam propostas de privatizações, redução de gastos públicos e aproximação com fundos estrangeiros interessados em setores estratégicos brasileiros.
Nos bastidores, interlocutores ligados ao mercado afirmam que emissários do grupo pretendem defender medidas como venda de ativos estatais, mudanças na política fiscal e abertura ampliada para exploração mineral por empresas estrangeiras, incluindo o mercado de terras raras.
Até o momento, a Casa Branca não confirmou encontro oficial entre Trump e Flávio Bolsonaro. Integrantes do governo norte-americano também evitam comentar articulações políticas envolvendo lideranças estrangeiras em território dos Estados Unidos.




