Flávio Bolsonaro enfrenta resistência e Tarcísio evita colar sua imagem à do candidato

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Governador declara apoio ao candidato do PL, mas evita algumas agendas na periferia; relação revela uma aliança construída sobre o bolsonarismo e também interesses eleitorais próprios para 2026 e 2030

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A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) em São Paulo expôs uma relação política que combina apoio público, interesses eleitorais e uma certa distância estratégica. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, declara apoio ao senador, chegou a ser escolhido como coordenador de sua campanha no estado e esteve ao lado dele em eventos como a Festa do Peão de Barretos, mas tem evitado acompanhar algumas agendas do candidato na periferia da capital. A situação provocou críticas entre aliados de Flávio e levantou uma questão sobre a estratégia eleitoral de Tarcísio: até onde vai sua disposição de associar sua imagem à candidatura presidencial do filho de Jair Bolsonaro?

A relação entre os dois não nasceu em 2026. Tarcísio entrou na política nacional como ministro da Infraestrutura de Jair Bolsonaro e, em 2022, disputou pela primeira vez uma eleição para um cargo executivo. Naquele ano, apresentou-se como candidato alinhado ao bolsonarismo e chegou ao segundo turno contra Fernando Haddad (PT), vencendo a disputa com 55,27% dos votos válidos.

O próprio Tarcísio reconheceu, durante a campanha de 2022, a importância do fenômeno político que o levou ao Palácio dos Bandeirantes. Sua eleição ocorreu em um cenário de forte polarização entre o bolsonarismo e o campo liderado pelo PT. No segundo turno, Tarcísio obteve 13,48 milhões de votos, contra 10,91 milhões de Haddad. A votação, entretanto, não foi homogênea: Tarcísio venceu no interior e no litoral, enquanto Haddad teve vantagem na capital paulista.

É justamente essa geografia eleitoral que ajuda a entender o dilema de 2026. Flávio Bolsonaro precisa ampliar sua presença em São Paulo, um dos maiores colégios eleitorais do país. Tarcísio, por sua vez, precisa disputar novamente o governo estadual e manter uma coalizão que inclui o eleitorado conservador e bolsonarista, mas também precisa falar com eleitores que não necessariamente acompanham todas as posições do bolsonarismo.

A periferia virou o ponto sensível

Flávio tem realizado agendas em bairros da periferia da capital paulista, inclusive em regiões onde o campo petista teve desempenho expressivo nas eleições anteriores. Nessas atividades, o senador enfrentou manifestações contrárias e episódios de protesto.

Tarcísio não acompanhou algumas dessas agendas. Em uma delas, enquanto Flávio visitava a zona leste, o governador participava de uma sabatina da CBN. Aliados do senador reclamaram que Tarcísio poderia ter reorganizado sua agenda para acompanhar o candidato presidencial.

O governador, entretanto, rejeita a interpretação de afastamento. Ao ser questionado sobre a ausência, afirmou que haverá outras oportunidades de atividades conjuntas e defendeu a divisão de tarefas: “A divisão às vezes é boa, porque o cara está num lugar, o outro está em outro. Um pede voto num lugar, o outro está pedindo em outro”.

O cálculo eleitoral

Flávio precisa de Tarcísio porque o governador possui uma estrutura política consolidada em São Paulo e venceu a eleição estadual de 2022 com uma votação expressiva. O apoio de Tarcísio pode ajudar o candidato do PL a alcançar eleitores que não necessariamente votariam automaticamente em um integrante da família Bolsonaro.

Tarcísio também tem interesse na aliança. O eleitorado bolsonarista permanece como uma parcela relevante da direita paulista, e uma ruptura aberta com o grupo de Bolsonaro poderia produzir custos eleitorais para quem busca a reeleição.

Mas existe uma segunda variável: o futuro político de Tarcísio. Embora diga que seu foco está na reeleição para o governo paulista, o governador foi questionado recentemente sobre uma eventual candidatura à Presidência em 2030. Ao responder, afirmou que “o tempo vai dizer”.

Essa possibilidade ajuda a explicar por que Tarcísio pode ter interesse em preservar uma identidade própria dentro da direita. Apoiar Flávio é uma coisa; transformar-se no principal rosto de sua campanha em todas as regiões de São Paulo é outra.

A estratégia permite ao governador permanecer próximo do eleitorado bolsonarista sem necessariamente assumir integralmente a identidade política de Flávio.

A aliança que interessa aos dois

Para Flávio, Tarcísio é uma ponte para o eleitorado paulista. Para Tarcísio, Flávio é, ao mesmo tempo, um aliado importante para preservar a unidade da direita e uma candidatura que pode testar os limites da sua própria identidade política.

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