Helicóptero com suspeito ligado ao PCC pousou no Palácio dos Bandeirantes com autorização, aponta investigação

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Caso revelado em operação da Polícia Civil expõe possível infiltração do crime organizado em estruturas públicas e conexões políticas

De acordo com as investigações, o ocupante da aeronave era o empresário João Gabriel de Melo Yamawaki, preso em março de 2026, suspeito de envolvimento com um carregamento de 500 quilos de cocaína vindo da Bolívia Foto Reprodução

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Um helicóptero que transportava um suspeito de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) pousou no heliponto do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, em março de 2022, após autorização obtida em cerca de seis horas junto à Casa Militar. O passageiro seguiu até o Estádio do Morumbi para assistir a uma partida entre São Paulo e Palmeiras. O caso veio à tona em documentos da Operação Contaminatio, conduzida pela Polícia Civil de São Paulo.

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De acordo com as investigações, o ocupante da aeronave era o empresário João Gabriel de Melo Yamawaki, preso em março de 2026, suspeito de envolvimento com um carregamento de 500 quilos de cocaína vindo da Bolívia. A polícia aponta que ele teria utilizado contatos políticos para viabilizar o pouso. Mensagens apreendidas indicam interlocução com o ex-vereador Thiago Rocha de Paula, então filiado ao Partido Social Democrático (PSD), que teria articulado a autorização sob a justificativa de uma suposta comitiva estrangeira.

As apurações indicam ainda possível participação indireta de agentes públicos na liberação. A suspeita recai sobre um assessor vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Regional à época, comandada por Marco Vinholi. Em nota, a assessoria do ex-secretário afirmou que a pasta não tinha ingerência sobre o heliponto, atribuição da Casa Militar.

Infiltração, dinheiro e articulação política

A Operação Contaminatio é desdobramento da Operação Decurio e investiga a infiltração do PCC em administrações públicas municipais, além do financiamento de campanhas eleitorais em 2024. Segundo a polícia, a organização teria movimentado bilhões por meio de empresas de fachada e de uma fintech chamada 4TBank, usada para lavar dinheiro e, supostamente, intermediar receitas públicas como taxas e impostos.

Relatórios apontam a identificação de ao menos seis “pessoas politicamente expostas” com atuação em regiões como Baixada Santista, ABC Paulista, Campinas e Ribeirão Preto. A suspeita é de que o grupo buscava inserir estruturas financeiras ligadas à facção dentro da administração pública, criando um canal institucional para “limpar” recursos ilícitos.

As investigações também sugerem que o PCC apoiava ou financiava candidatos em nível municipal e estadual, com o objetivo de influenciar decisões administrativas. O Judiciário determinou o bloqueio de mais de R$ 513 milhões em bens e ativos, além de prisões temporárias e mandados de busca em diversas cidades do país.

O ex-governador João Doria afirmou que não tinha controle sobre o uso do heliponto do Palácio dos Bandeirantes. “Quem tem que responder é a Casa Militar”, declarou. Até o momento, o órgão não se manifestou.

O caso amplia a pressão sobre mecanismos de controle interno do Estado e levanta suspeitas sobre possíveis conexões entre agentes públicos e estruturas do crime organizado, em um cenário que segue sob investigação.

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