
Presidentes e representantes de governos de diferentes correntes políticas destacaram a democracia e a continuidade das relações comerciais, diplomáticas e ambientais com o Brasil após o segundo turno.
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A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada neste domingo (25), provocou manifestações de chefes de Estado e de governo de diferentes regiões do mundo. Até a manhã desta segunda-feira (26), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Argentina, Javier Milei, ainda não haviam divulgado mensagens públicas de congratulação ao presidente brasileiro, segundo reportagens publicadas pela Reuters e por outros veículos internacionais.
Na América Latina, as manifestações incluíram governos de orientações políticas distintas. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, destacou a integração regional e o desenvolvimento econômico. O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, defendeu a continuidade da cooperação entre os países vizinhos, enquanto a presidente do México, Claudia Sheinbaum, publicou uma mensagem associando o resultado à democracia. O presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, informou que conversou por telefone com Lula para parabenizá-lo.
Também se manifestaram os presidentes do Panamá, José Raúl Mulino, e do Equador, Daniel Noboa. As mensagens ressaltaram a manutenção do diálogo bilateral e a busca por objetivos comuns na região. Em Cuba, Miguel Díaz-Canel classificou a vitória como histórica e relacionou o resultado à continuidade das políticas de soberania, paz e justiça social defendidas pelo governo brasileiro.
Relações diplomáticas e comerciais
Fora da América Latina, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, defendeu o aprofundamento das relações entre os dois países, com ênfase na ampliação do comércio, na proteção ambiental e na prosperidade econômica. Na Europa, o presidente francês, Emmanuel Macron, propôs fortalecer a parceria estratégica entre França e Brasil. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, destacou o multilateralismo e a cooperação comercial e climática.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, também saudou o resultado e associou a vitória de Lula à perspectiva de avanço de forças progressistas em outros países. Na Ásia, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, manifestou interesse em ampliar a parceria estratégica bilateral e a cooperação entre países do chamado Sul Global.
O governo chinês também cumprimentou Lula. Segundo declarações atribuídas ao porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, Pequim pretende dar continuidade à cooperação com Brasília e avançar na construção de uma relação estratégica entre os dois países.
O silêncio de Trump e Milei
A ausência de manifestações públicas de Trump e Milei chamou a atenção porque os dois governos mantêm posições políticas conservadoras e relações com setores da direita brasileira. Milei havia demonstrado apoio ao campo político de Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno. Trump, por sua vez, declarou antes da votação que acompanhava a eleição brasileira de perto, mas não anunciou apoio formal a um dos candidatos.
Até o horário de referência das reportagens, porém, não havia confirmação de que o silêncio representasse uma decisão diplomática definitiva. A ausência de uma publicação pública também não permite concluir, isoladamente, que tenham ocorrido mudanças nas relações entre os governos.
Flávio Bolsonaro contesta o resultado
Após a derrota, Flávio Bolsonaro declarou que não reconheceria o resultado eleitoral nas condições em que a votação ocorreu e afirmou que pediria a anulação do pleito. O senador questionou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou o horário de votação. A alegação foi apresentada pelo próprio candidato e não deve ser confundida com uma decisão judicial que tenha invalidado o resultado.
Nos Estados Unidos, parlamentares democratas, entre eles Joaquín Castro e Bernie Sanders, manifestaram-se sobre o resultado brasileiro. Em sentido contrário, integrantes de setores republicanos questionaram a eleição nas redes sociais. Essas manifestações individuais, contudo, não equivalem a uma posição oficial do governo norte-americano.
A repercussão internacional indica que a continuidade das relações com o Brasil é um tema relevante para governos de diferentes orientações políticas. Os próximos posicionamentos diplomáticos e as medidas concretas de cooperação deverão indicar como cada país pretende conduzir a relação com o governo Lula no novo mandato.


