Lula abre 14 pontos sobre Flávio entre católicos, enquanto senador lidera entre evangélicos, diz BTG/Nexus

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O presidente também afirmou que respeita a religião evangélica e defendeu que católicos, evangélicos e seguidores de religiões de matriz africana possam professar sua fé sem que uma crença seja utilizada para desrespeitar outra. Foto Ricardo Stuckert/PR

Levantamento realizado entre 25 e 27 de setembro mostra Lula com 47% entre católicos e Flávio Bolsonaro com 33%; entre evangélicos, cenário se inverte e senador chega a 50%

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A nova rodada da pesquisa BTG/Nexus mostra uma forte diferença nas intenções de voto para a Presidência da República de acordo com a religião declarada pelos entrevistados. Entre os católicos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 47% das intenções de voto, contra 33% do senador Flávio Bolsonaro (PL), uma diferença de 14 pontos percentuais.

Entre os eleitores evangélicos, o cenário apresentado pelo levantamento é inverso: Flávio Bolsonaro registra 50%, enquanto Lula aparece com 31%, diferença de 19 pontos percentuais. Os dados fazem parte da pesquisa realizada entre 25 e 27 de setembro, que ouviu 2.000 eleitores por telefone, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pelo Banco BTG Pactual e registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07557/2026.

Religião e intenção de voto

O levantamento também aponta diferença entre eleitores que declaram não possuir religião. Nesse grupo, Lula registra 48%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 24%. Augusto Cury tem 8%, Renan Santos, 6%, e Ronaldo Caiado, 4%.

Entre entrevistados que declararam pertencer a outras religiões, os números aparecem praticamente equilibrados: Flávio Bolsonaro registra 38% e Lula, 37%.

Os dados não permitem afirmar que a religião seja a causa das escolhas eleitorais. O recorte apenas registra como as intenções de voto se distribuem entre grupos religiosos diferentes. Há outros fatores que podem influenciar o comportamento eleitoral, como região, renda, escolaridade, idade, identificação política e avaliação do governo.

Evangélicos concentram maior identificação bolsonarista

A pesquisa também cruzou religião com identificação política. Entre os evangélicos, 39% dos entrevistados foram classificados pela Nexus como “bolsonaristas convictos”, enquanto 20% aparecem como “lulistas convictos”.

Entre os eleitores sem religião, o levantamento apresenta uma relação diferente: 36% são classificados como “lulistas convictos” e 21% como “bolsonaristas convictos”.

Esses dados ajudam a dimensionar a relação entre identidade religiosa e identificação política, mas não significam que todos os eleitores de determinada religião compartilhem da mesma posição política.

Nossa Senhora Aparecida entra no debate eleitoral

A divulgação dos números ocorre em meio à repercussão política envolvendo Nossa Senhora Aparecida e declarações de candidatos sobre a relação entre religião e eleição.

Em entrevista ao programa “Canal Livre”, da Band, exibida em 27 de setembro, Lula afirmou que “esse negócio de mexer com Nossa Senhora Aparecida não é aceitável” e defendeu o respeito entre diferentes tradições religiosas.

O presidente também afirmou que respeita a religião evangélica e defendeu que católicos, evangélicos e seguidores de religiões de matriz africana possam professar sua fé sem que uma crença seja utilizada para desrespeitar outra.

A declaração ocorreu depois da controvérsia envolvendo a circulação de informações sobre um antigo projeto relacionado ao título de Nossa Senhora Aparecida. A discussão ganhou dimensão eleitoral e passou a envolver diretamente a campanha de Flávio Bolsonaro.

A CNBB, por sua vez, afirmou que não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao processo eleitoral e defendeu o respeito à verdade e ao diálogo.

Lula mantém vantagem no eleitorado geral

No conjunto da amostra, Lula aparece com 42% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro registra 37%. Augusto Cury e Ronaldo Caiado aparecem com 5% cada, e Renan Santos tem 4%.

Nos votos válidos, Lula chega a 44%, contra 39% de Flávio Bolsonaro. Já em uma simulação de segundo turno entre os dois, Lula registra 46% e Flávio, 44%. Como a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, essa diferença está dentro da margem de erro.

A fotografia apresentada pela pesquisa, portanto, combina uma disputa nacional apertada com diferenças expressivas nos recortes por religião. O dado mais evidente é a distância de 14 pontos entre Lula e Flávio no eleitorado católico e de 19 pontos no sentido contrário entre os evangélicos.

A pesquisa mede o comportamento declarado dos entrevistados no período de 25 a 27 de setembro. Ela não permite concluir, isoladamente, se acontecimentos específicos ocorridos durante a campanha foram responsáveis pelas diferenças registradas entre os grupos religiosos.

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