
Diálogos extraídos pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro registram tratativas entre o banqueiro e o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux; conversas não comprovam encontro do ministro com Vorcaro nem contratação do escritório
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Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, mostram uma relação próxima entre o banqueiro e o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os diálogos, obtidos pela PF durante as investigações, incluem uma referência a um compromisso em Londres relacionado ao ministro e mostram que Rodrigo Fux pediu que informações sobre o encontro fossem encaminhadas também à secretária de Luiz Fux no STF. As conversas, entretanto, não esclarecem qual era o evento, não comprovam que o ministro tenha participado dele e não registram encontro entre Luiz Fux e Vorcaro em Londres.
A referência a Londres
A menção ao compromisso aparece em uma conversa de março de 2025. Em 12 de março, depois de tratar com Vorcaro sobre uma reunião em Brasília, Rodrigo Fux perguntou ao banqueiro: “Qual a data de Londres mesmo?”.
Na sequência, o advogado pediu que as informações fossem encaminhadas também para Patrícia, identificada nas mensagens como secretária de seu pai no Supremo.
“E para a Patrícia. Secretária do meu pai. Com cópia pra mim”, escreveu Rodrigo.
Segundo o material divulgado, o endereço eletrônico utilizado para o encaminhamento tinha domínio institucional do STF. Vorcaro respondeu que providenciaria o envio. As mensagens não revelam, contudo, qual era o compromisso mencionado, quem participaria dele ou qual seria a finalidade da viagem. Também não há, nos diálogos apresentados, confirmação de que Luiz Fux tenha efetivamente viajado a Londres, participado do evento ou se encontrado com Vorcaro.
Essa distinção é relevante porque a existência da conversa demonstra a interlocução, mas não permite concluir, isoladamente, que tenha ocorrido qualquer atuação irregular.
Relação entre Rodrigo Fux e Vorcaro
Os registros mostram que Rodrigo Fux e Daniel Vorcaro mantinham contato desde pelo menos maio de 2024. Em uma das primeiras mensagens, Rodrigo escreveu: “Fala irmão. Tudo bem?”. Vorcaro respondeu: “Fala amigo. Tudo certo?”. A comunicação prosseguiu durante mais de um ano e incluiu reuniões presenciais, videochamadas e convites para compromissos sociais. Em novembro de 2024, Vorcaro procurou Rodrigo para pedir ajuda em um assunto que não é especificado no conteúdo divulgado.
“Quero te chamar pra me ajudar num caso”, escreveu o banqueiro. Rodrigo respondeu que seria “um prazer” ajudar. Os dois fizeram uma videoconferência e Vorcaro posteriormente encaminhou um documento para análise.
O material divulgado não esclarece qual era o caso discutido, qual documento foi enviado ou se houve contratação profissional decorrente daquela conversa.
“Tapete vermelho, irmão”
As mensagens também registram tratativas para encontros presenciais. Em dezembro de 2024, Rodrigo perguntou se Vorcaro estaria em Brasília e posteriormente sugeriu recebê-lo em seu escritório quando soube que o banqueiro passaria pelo Rio de Janeiro. Diante de dificuldades de agenda, o advogado afirmou que alteraria outro compromisso para conseguir encontrá-lo às 14h.
“Tapete vermelho, irmão”, escreveu Rodrigo. Vorcaro respondeu: “Valeu, irmão”.
A linguagem utilizada nas conversas revela proximidade pessoal entre os dois, mas, isoladamente, não demonstra a existência de contrato, pagamento ou atuação jurídica em favor de Vorcaro.
Celular foi compartilhado com ministros
O conteúdo do telefone de Daniel Vorcaro foi disponibilizado pela Polícia Federal aos gabinetes dos ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, que haviam solicitado acesso às informações. A análise do aparelho passou a integrar o conjunto de elementos examinados no contexto das investigações envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro. A existência das mensagens envolvendo familiares de ministros do STF amplia o interesse sobre as relações mantidas pelo banqueiro antes de as suspeitas envolvendo o Banco Master se tornarem públicas.
No caso específico de Rodrigo Fux, porém, os diálogos divulgados precisam ser separados de qualquer conclusão sobre Luiz Fux. O conteúdo apresentado não demonstra que o ministro tenha recebido valores, contratado serviços de Vorcaro, atuado em favor do Banco Master ou participado de qualquer irregularidade.
Escritório nega contratação
Em nota, a Fux Advogados afirmou que nunca atuou para Daniel Vorcaro, para o Banco Master ou para empresas e fundos relacionados ao grupo. O escritório também negou ter firmado contrato, recebido valores ou apresentado proposta de trabalho ao banqueiro. Segundo a banca, embora as mensagens tenham um “tom informal”, houve apenas uma tentativa de aproximação comercial por parte de Vorcaro e seus sócios, que não teria se concretizado. O escritório afirmou ainda que os contatos ocorreram antes de se tornarem públicas as suspeitas relacionadas a possíveis fraudes envolvendo o ex-banqueiro.
Até o momento, portanto, os elementos divulgados estabelecem a existência de uma relação de proximidade e de interlocução entre Rodrigo Fux e Daniel Vorcaro, além da referência a um compromisso em Londres relacionado ao ministro Luiz Fux. Eles não estabelecem, por si mesmos, que o ministro tenha se encontrado com Vorcaro, que tenha recebido qualquer vantagem ou que tenha ocorrido contratação entre o banqueiro e o escritório.
A apuração sobre o conteúdo completo das mensagens, o contexto do compromisso em Londres e eventual documentação associada ao episódio poderá esclarecer se a referência feita nas conversas tinha natureza exclusivamente profissional, institucional ou social.


