23.6 C
Campinas
terça-feira, julho 28, 2026
spot_img

Ministro da Justiça anuncia ofensiva contra o crime organizado e mira a elite financeira das facções

Data:

Lewandowski diz que objetivo é sufocar financeiramente as organizações criminosas após operações que revelaram esquemas bilionários de lavagem e fraudes

Por Sandra Venancio

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmou nesta quinta-feira (28) que o governo federal vai avançar em todos os níveis das organizações criminosas, desde os operadores de base até a elite financeira que sustenta suas atividades. A declaração foi dada ao programa A Voz do Brasil, destacando que as operações Quasar, Tank e Carbono Oculto representam apenas o início de uma estratégia mais ampla de combate ao crime organizado.

>> Siga o canal do Jornal Local no WhatsApp

“Descobrimos a ponta desse iceberg e vamos, agora, descobrir a base, quem está na base”, disse Lewandowski, ressaltando que a meta central é sufocar financeiramente o crime organizado e desarticular sua rede de apoio empresarial e financeira.

Operações atingem o coração do crime financeiro

As três operações revelaram esquemas bilionários:

  • Quasar: desarticulou fundos de investimento fraudulentos usados para movimentações ilícitas.
  • Tank: revelou esquema de R$ 23 bilhões no Paraná envolvendo postos de combustíveis e empresas de fachada.
  • Carbono Oculto: expôs sonegação e lavagem bilionária por meio de importadoras, distribuidoras e fintechs atuando como bancos paralelos.

Entre os bens apreendidos ou bloqueados estão 141 veículos, duas embarcações, 192 imóveis, 1.600 caminhões, seis fazendas avaliadas em R$ 31 milhões, uma residência de R$ 13 milhões, 21 fundos financeiros e R$ 3,2 bilhões em valores. Além disso, foram cumpridos 14 mandados de prisão e centenas de buscas e apreensões.

Estratégia de sufocamento financeiro

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou que a ação é mais eficaz que a prisão isolada de líderes:

“Se você prende uma pessoa, mas o dinheiro fica à disposição do crime, essa pessoa presa vai ser substituída por outra. O que fica preso geralmente é o personagem menos importante da estrutura criminosa.”

Segundo Haddad, as operações são exemplares por atingir o andar de cima do sistema, mirando os núcleos financeiros e de comando das facções.

Inteligência e integração entre órgãos

Lewandowski ressaltou a criação de um núcleo de combate ao crime organizado para integrar informações de diferentes órgãos federais e estaduais. A ação envolveu Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Penal Federal, Receita Federal, Cade, Ministério de Minas e Energia e Coaf, além de ministérios públicos de dez estados e forças policiais locais.

Ele também defendeu a PEC da Segurança, que prevê cooperação permanente entre forças federais, estaduais e municipais, afirmando:

“O crime organizado não é mais local, mas nacional e até transnacional. Só o governo federal pode fornecer as diretrizes para uma cooperação ampla ao nível federativo.”

Um modelo de combate integrado

As operações recentes mostram que o combate às facções criminosas no Brasil exige ação coordenada entre inteligência, fiscalização e repressão. O foco não é apenas prender líderes, mas interromper fluxos financeiros, desarticular empresas de fachada e blindar mecanismos legais que hoje servem como porta de entrada para lavagem de dinheiro.

Especialistas apontam que esse modelo é crucial para enfrentar facções como o PCC, que não apenas operam no tráfico de drogas, mas também se infiltram no mercado financeiro, comércio de combustíveis e outros setores estratégicos. Segundo Lewandowski, só com integração nacional e atuação conjunta com estados e municípios será possível desmantelar a estrutura que sustenta o crime organizado.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe esse Artigo:

spot_img

Últimas Notícias

Artigos Relacionados
Relacionados

Flávio Bolsonaro depõe à Polícia Federal em investigação por calúnia contra Lula

Senador é ouvido por determinação do ministro Alexandre de...

Sindicato ameaça greve na CPTM e cobra resposta do governo Tarcísio após falhas e incêndio

Categoria dá prazo até 31 de julho para negociação...

PT aciona PGR para investigar uso de dinheiro público argentino na campanha de Flávio Bolsonaro

Federação Brasil da Esperança pede apuração sobre possível utilização...
Jornal Local
Política de Privacidade

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) já está em vigor no Brasil. Além de definir regras e deveres para quem usa dados pessoais, a LGPD também provê novos direitos para você, titular de dados pessoais.

O Blog Jornalocal tem o compromisso com a transparência, a privacidade e a segurança dos dados de seus clientes durante todo o processo de interação com nosso site.

Os dados cadastrais dos clientes não são divulgados para terceiros, exceto quando necessários para o processo de entrega, para cobrança ou participação em promoções solicitadas pelos clientes. Seus dados pessoais são peça fundamental para que o pedido chegue em segurança na sua casa, de acordo com o prazo de entrega estipulado.

O Blog Jornalocal usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Confira nossa política de privacidade: https://jornalocal.com.br/termos/#privacidade