
Operação Dinastia do Lago cumpre 29 mandados em Manaus e Coari, tem Adail Filho entre os alvos e afasta o prefeito Adail Pinheiro; investigação começou após apreensão de R$ 1,25 milhão em dinheiro vivo.
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A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (16) a Operação Dinastia do Lago, que investiga suspeitas de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro relacionadas à administração municipal de Coari, no Amazonas. Entre os alvos está o deputado federal Adail Filho (MDB-AM). O pai do parlamentar, Adail Pinheiro, prefeito de Coari, foi afastado do cargo por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
A operação cumpre 29 mandados de busca e apreensão em Manaus e Coari, além de medidas cautelares e afastamento de servidores públicos. Em Manaus, agentes federais estiveram inclusive em um condomínio de alto padrão onde fica a residência de Adail Filho.
R$ 1,25 milhão em dinheiro vivo está na origem da investigação
A investigação começou após a apreensão de aproximadamente R$ 1,25 milhão em espécie, em maio de 2025. O dinheiro era transportado por três empresários em um voo entre Manaus e Brasília e foi apreendido durante uma fiscalização no aeroporto da capital federal.
A partir da apreensão, a Polícia Federal passou a analisar documentos, movimentações financeiras e outros elementos relacionados aos envolvidos. Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, os investigadores identificaram indícios de uma possível atuação coordenada entre empresários, agentes públicos e terceiros.
As suspeitas envolvem possível direcionamento de licitações, desvio de recursos públicos e movimentações financeiras que poderiam estar relacionadas ao pagamento de vantagens indevidas e à tentativa de ocultar a origem e os destinatários dos valores.
Os fatos são investigados, em tese, como possíveis crimes de organização criminosa, fraude em licitação, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro.
Pai e filho no centro da investigação
A operação desta quarta-feira coloca simultaneamente no foco das autoridades o prefeito de Coari e seu filho, deputado federal. Adail Filho foi alvo de busca e apreensão em Manaus. A investigação procura esclarecer eventual participação do parlamentar e de outras pessoas nas relações entre empresários, agentes públicos, contratos da Prefeitura de Coari e movimentações financeiras sob suspeita.
Já Adail Pinheiro foi afastado do cargo de prefeito, juntamente com servidores da administração municipal alcançados pelas medidas judiciais.
A PF também realizou buscas em imóveis ligados ao grupo político. Durante as diligências, foram apreendidos bens e valores, segundo relatos da imprensa local.
Investigação chegou ao STF
O caso envolvendo Adail Filho já havia chegado ao Supremo antes da operação desta quarta-feira. Segundo informações divulgadas nesta manhã, em abril o ministro Alexandre de Moraes determinou a abertura de inquérito para investigar o deputado federal, a partir dos elementos reunidos pela Polícia Federal após a apreensão do dinheiro em espécie.
Agora, com a Operação Dinastia do Lago, a investigação avançou para a estrutura da Prefeitura de Coari e atingiu diretamente o prefeito.
A decisão judicial que autorizou as medidas desta quarta-feira também determinou o afastamento de Adail Pinheiro e de servidores municipais.
Investigados ainda não são condenados
A Operação Dinastia do Lago está em fase de investigação. O fato de uma pessoa ser alvo de busca e apreensão ou de outra medida cautelar não significa condenação nem comprovação de crime.
A Polícia Federal ainda precisa concluir as diligências, analisar documentos e dispositivos apreendidos e apresentar suas conclusões às autoridades competentes.
A defesa de Adail Filho foi procurada pela imprensa e, até a publicação das primeiras informações sobre a operação, não havia apresentado manifestação pública localizada pela reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação dos investigados.
O caso agora passa a envolver simultaneamente a estrutura política de Coari, empresários e contratos públicos, tendo como ponto de partida uma apreensão de dinheiro vivo que ocorreu há mais de um ano.
A investigação deverá mostrar se os R$ 1,25 milhão eram um episódio isolado ou parte de uma estrutura maior de movimentação de recursos públicos.
Por Sandra Venancio – Jornal Local


